terça-feira, 17 de julho de 2007

Partidos da Oposicao em Mocambique

OPOSIÇÃO CONSTRUTIVA vs OPOSIÇÃO DESTRUTIVA


Num dos trechos de um artigo que esrcrevera, deixei claro a elevada estima e consideração que nutria por todas as forças políticas nacionais e este artigo serve como prova desse sentimento.

Antes de começar abordar o assunto a que me proponho analisar devo clarificar que escrevo este artigo não é para provar algum sentimento mas para me expressar sobre a situação catastrófica em que os nossos políticos se encontram, para ser mais preciso a nossa oposição.

A estratégia seguida pelo governo em determinadas áreas não tem se mostrado exequível, razão pela qual eu chegue a pensar que uma oposição activa poderia contribuir para que alternativas correctas fossem produzidas para responder aos problemas nacionais. O país sairia a ganhar com uma competição política forte, cerrada, de ideias construtivas, estratégias claras, visões promissoras etc.

A minha teoria cai em terra, quando dou a volta ao país a procura da oposição, encontro uma oposição dividida em construtiva vs destrutiva, uma oposição que usa dos mais fortes argumentos que tem a seu dispor para ganhar o estatuto de oposição. Uma das perguntas que me faço quando analiso este cenário é a seguinte: Quem ganha com essa disputa da oposição pelo título de partido da oposição? Sinceramente falando, a única resposta que me aparece é que o país perde com essa disputa.

Se bem que nesta disputa o balde de água fria foram os ataques de Ya Kube Sibinde a oposição directamente da tribuna do nono congresso da FRELIMO em Quelimane onde acabou a meu ver tendo um posicionamento infeliz na medida em que poderia ter sido um pouco mais Moçambicano e falar dos males que nos rodeiam, dos problemas que nos afligem e enunciar algumas saídas e não limitar-se a fazer ataques a uma classe que eternamente fará parte a classe dos estagiários, é bom sublinhar que outras posições estranhas a esta tinham se desenrolado.

Deve ficar bem claro que a ida de Sibinde a Quelimane não foi nenhum erro, mesmo com a reunião de uma outra Oposição que se diz ter decorrido na Matola, foi a meu ver um grande, mas grave erro o seu discurso não por ter criticado a oposição pois poderia ser uma manobra para no fim desferir um golpe certeiro ao governo a partir do interior da sua base, mas Sibinde não foi clarividente o suficiente para se lembrar que nas próximas eleições vai também disputar com o partido no poder, e perdeu uma grande oportunidade de apontar o dedo a ferida, de mostrar as coisas erradas, de mostrar ao povo que tem uma visão melhor que do partido que a muito comanda os destinos do país.

Mas como disse acima esta foi mais uma das muitas novelas com as quais a nossa oposição nos tem gratuitamente brindado. Até mesmo dentro de um partido ou bloco de oposição temos assistido esse tipo de disputas, até mesmo os que tem a memória menos forte, não se devem ter esquecido dos discursos dum ilustre advogado e deputado membro da RUE que discorda com muitas atitudes no seio da RUE, bloco de que faz parte, da falta de democracia interna, da imposição das decisões pelo Presidente entre outras posições que em nada bonificam o bloco. Por terem sido vários os discursos deste ilustre político batendo na mesma tecla, me indago se o facto deste deputado continuar ligado a uma camisola que ele próprio reconhece oferecer poucas alternativas, a continuar nesta marcha, não será para ele próprio bastante prejudicial e sobretudo chego a pensar que esta situação retira grande parte de autoridade para depois atacar o partido no poder e atira aos eleitores a uma única conclusão, esta nossa oposição ainda não está organizada.

Outro episódio pouco recomendável que a nossa oposição nos ensina é a de filiar membros para cargos seniores e juniores que não conhecem a filosofia do partido, a linha do partido, a história do partido, as ambições e acima de tudo sem conhecerem as dificuldades do partido razão pela qual quando não conseguem chegar a cargos de deputado, secretário provincial, secretário geral, isto é, cargos de direcção, desertam para a FRELIMO onde aceitam ficar em qualquer cargo, estranho não é?

Ao estimado leitor que se deve ter perguntado qual a razão do título fazer referência a oposição destrutiva, devo confessar lhe que não é um termo da minha autoria, fui buscá-lo ao silogismo dado que a existência de uma oposição construtiva remete-nos de seguida a reflexão da existência de uma destrutiva que é assim apelidada por pensar que fazer oposição é obstruir os planos de governação quem governa.

O objectivo central deste artigo não é lembrar a oposição que se está chamando nomes, que se está tirando mérito é pelo contrário um alerta para que a Oposição, aqueles que não estão no governo, tomem os seus devidos lugares quer seja a partir da sombra ou do parlamento e enunciem estratégias válidas, alternativas convincentes para combater a pobreza, o desemprego e sobretudo a dependência externa.

Penso que se a oposição que se encontra no parlamento continuar a boicotar a aprovação de instrumentos que aos olhos de todos são vitais para o desenvolvimento nacional, não mudar de atitude internamente e externamente e a oposição sombra continuar com a sua iniciativa de continuar a estagiar para governar Moçambique constituirá um desrespeito muito grande não só para os cidadãos que em vocês votam mas para todos nós que respeitamos a vossa existência enquanto partidos políticos.

Não sei se o melhor termo é chamá-los de “aventureiros” mas é um pouco lógico que se defenda pouco prudente levar a ponta vermelha gente que não consegue exercer a democracia partidária, exercer a democracia interna na plenitude, gente que não respeita os dias e símbolos nacionais, gente que quando aprova algo no parlamento é o seu aumento salarial ou as suas regalias enquanto representantes do povo, será que nada mais que entra na magna casa é digno de ser aprovado.

Custa me crer que o estágio de Ya kub Sibinde e da oposição construtiva terá terminado em 2009, ademais para estes se candidatarem terão que receber um aval do Supervisor do estágio dizendo nos publicamente que Sibinde e a oposição construtiva está preparado para chegar a casa branca, o que posso desde já afiançar-vos que não faz parte da filosofia do Supervisor, lançar um adversário.

O texto a ser concluído com duas oposições construtivas e destrutivas corria vertiginosamente a falácia, porque em Moçambique no meio desta oposição que disputa pelo título de oposição encontramos uma outra com pouca expressão, que só aparece nas vésperas das eleições, uma oposição ainda sem cabedal para discutir o título de oposição.

Quando tento descortinar o conceito de PARTIDO DE OPOSIÇÃO, penso que são todos aqueles partidos que não se encontram no poder, e que oposição é para servir de alternativa as escolhas do povo é para oferecer uma outra dinâmica a vida política. Sinceramente, com o andar da carruagem me questiono se é necessário ter uma oposição deste nível em que se encontra a nossa? Em que é que ao país beneficia? Hum? O ganho pivotal é que serve de prova indubitável para comunidade internacional de que Moçambique é de facto um país multipartidário, um país democrático.

Sempre que escrevo é com bastante coragem, mas bastante mesmo, pois as vezes penso que eles nem lêem, eles até devem estar a me dizer, você sabe o que ganhamos com esta nossa desorganização? Mas algo me diz que este repto vai produzir algum impacto na oposição de tal forma que nos próximos tempos algo vai ilustrar uma mudança de atitude.

Mudança de atitude da oposição deve em primeiro lugar significar respeito pela integridade e soberania nacionais, bem como pelos símbolos, história e valores culturais deste nosso belo Moçambique. Não vejo como um sinal de fracasso quando a oposição reconhece o óbvio, quando concorda com uma proposta acertada do governo, pelo contrário é ao meu ver um sinal de maturidade política, um sinal de reconhecimento da necessidade de defesa do interesse nacional.

Também deve parar de bajular e se preocupar mais com o povo, aquela oposição que usa os parcos recursos de que dispõe em iniciativas “desnecessárias”, atendendo ao facto de que um gesto mínimo de apoio as instituições de caridade, aos hospitais, aos lares de estudantes, aos camponeses, entre outros segmentos da sociedade que muito necessitam teria um impacto mais preponderante no desenvolvimento nacional.

Aquela oposição que simplesmente luta ainda para ser oposição, sinceramente, não usem as desgraças de um povo para resolver problemas pessoais, se não tem ideias, linhas de acção, estratégias se estão convictos que nunca serão uma alternativa política a tomar em conta, inventem outra brincadeira pois a política não é, e nem pode ser refúgio para preguiçosos.

Uma desculpa que muito se tem usado pela nossa oposição é de que deve chegar ao poder para provar ser uma alternativa válida, penso que este é um grave erro, pois a oposição só chegará ao poder no dia que apresentar alternativas plausíveis para acabar com a dependência económica, com a criminalidade, com a corrupção isso sim seria um sinal de que os que estão no poder não são os mais certos, que os da oposição já estão em condições para tomar conta dos destinos da nação.

Este artigo vindo de um jovem modesto, atrevido, no bom sentido é claro, penso que pode de alguma maneira criar uma nova atitude no seio da oposição mas para tal é indispensável que leiam o artigo na íntegra, façam uma autocrítica, mas sobretudo que tenham vontade de mudar, e a partir daí estarão em melhores condições de apresentar aos moçambicanos uma nova roupagem, que poderá conduzir-vos a ganhos políticos que a longo tempo vem procurando.

Apresentação de episódios desta desinteressante novela termina deste jeito não por falta de capítulos, pois todos sabemos que os há as centenas, mas precisamente porque objectivo deste artigo, não é expor picardias, desavenças, disputas é sim fazer lembrar a aos partidos da Oposição o quão o país precisa deles e que o rumo que estão a tomar não lhes levará a bom porto.

Queria mesmo em jeito de fecho lembrar a toda oposição, que apesar do povo moçambicano ser desequilibradamente caracterizado por uma maioria analfabeta e uma minoria letrada, todos esses grupos na hora da escolha, do voto pensam sempre no futuro de seus filhos, netos e que a disputa pelo título de oposição que por vós é ardentemente desencadeada retira ao povo Moçambicano, a possibilidade de escolher outras alternativas para condução dos destinos deste Moçambique que até para vista desarmada é facilmente visível a sede de mudanças, mas não mudar por mudar, mudar para desenvolver.

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