quinta-feira, 19 de julho de 2007

Como tornar o Distrito um verdadeiro Polo de Desenvolvimento

O DISTRITO DEFINIDO COMO POLO DE

DESENVOLVIMENTO


O governo moçambicano no seu esforço de combate a pobreza absoluta, definiu o distrito como polo de desenvolvimento, numa clara estratégia de reduzir as assimetrias no desenvolvimento nacional e aumentar a produtividade interna dos distritos, e desta forma ter o país inteiro em condições para reduzir e erradicar a pobreza absoluta ao mesmo tempo que se reduziria a dependência externa.

Como mecanismo de potenciar os distritos para esta luta pelo desenvolvimento nacional, foram alocados no polo de desenvolvimento 7 millhões de meticais, foram descentralizadas as competências distritais para o recrutamento do pessoal qualificado, entre outras medidas fundamentais para elevar o crescimento económico dos distritos moçambicanos.

Neste artigo que é resultado das minhas constatações obtidas ao longo das experiências nos distritos, espero mostrar a minha visão sobre o distrito se é realmente o polo de desenvolvimento ou ainda falta algo para o ser, com objectivo de participar no processo de desenvolvimento dos distritos em particular e de Moçambique no geral.

A Associação dos Estudantes Universitários Finalistas de Moçambique (AEFUM), instituição de que sou membro fundador, deu me a oportunidade de fazer um estágio pré-profissional, de Janeiro a Fevereiro de 2006 na província de Nampula no distrito de Mogovolas onde trabalhei na Administração e tinha as funções de coordenador distrital e de Janeiro a Fevereiro de 2007 na segunda edição do projecto “Férias Desenvolvendo o Distrito” foi colocado na Província de Inhambane como Coordenador Províncial da AEFUM.

Algo interessante é que participei neste projecto em anos consecutivos mas em duas regiões diferentes do país a primeira no norte a segunda no sul, em Nampula e Inhambane respectivamente mas apesar disso são grandes as similaridades constatadas no distrito de Mogovolas bem como nos distritos da província de Inhambane em que tive a oportunidade de trabalhar.

Das constatações que fiz de todas as situações fizeram me crêr que Moçambique é realmente um país abundante em recursos naturais, faunísticos turísticos com terras virgens que carecem ainda de ser explorados e que muito podería ser por nós feito para elevar a produtividade interna, elevar os níveis de exportação o que poderia contribuir para o desenvolvimento nacional e erradicação da pobreza absoluta.

Em Mogovolas por exemplo, na região de Muva zona rica em minério (pedras preciosas), a população viu a sua região ser infectada de gente forasteira com particular destaque para ásiaticos e os nossos compatriotas da região dos grandes lagos, que os tornam em escavadores fazendo enormes crateras a busca de minérios e o salário que auferem isto quando encontram as pedras não representa nenhum quarto do valor pelo qual a pedra será transacionado em mercados mundias com grande destaque para o Eurepeu segundo fontes primárias, deixando as mais empobrecidas e fazendo enormes estragos ambientais.

Outra constatação que retive de Mogovolas é que é um distrito extremamente potencial na produção de gado-bovino e com alta produção de amendoim, mas a agricultura mais praticada é do sector familiar onde são cultivadas pequenas extensões de terra. Se os agricultores de Mogovolas usassem o gado bovino como tracção animal poderiam aumentar em grande medida a sua produtividade agrícola, diminuir o esforço humano pois teríam mais extensões de terra lavradas em tempo útil.

Como disse acima tive também oportunidade também de fazer estágio na Província de Inhambane na qualidade de Coordenador e trabalhei nos distritos de Zavala, Inharrime, Jangamo, Homoíne, Panda, Massinga e Vilanculos. Nesta província potencialmente rica em turísmo tive uma constatação generalizada que existe um mau relacionamento entre as populações e os turistas que afluem em massa á província, dado que as populações não têm nehum ganho das actividades e das estâncias turísticas instaladas no seio das suas comunidades muito por falta de formação ao nível local dos ganhos do turísmo para as comunidades e também falta de comunicação entre os turistas e as comunidades locais.

Ainda nestes distritos da província de Inhambane (terra de boa gente) rica em florestas e fauna bravia notei que agentes económicos que se especializam em extração de madeira bem como caçadores furtívos, realizam desmandos incomensuráveis dado que as nossas florestas e fauna bravia encontram-se desguarnecidas uma vez que a insuficiência de polícia de protecção florestal e a que existe com exiguidade de meios de trabalho, informação que é do inteiro domínio dos agentes que fazem e desfazem das nossas riquezas naturais.

Foram inúmeras as constatações que obtive nas duas experiências, mas como disse acima o mais interessante é que muitas são em comum. E a conclusão que retirei das constatações acima apresentadas tanto no caso de Mogovolas como de Inhambane e de outras que não apresentei aqui é que os distritos enfermam de falta de quadros qualificados, jovens com uma visão futurística, com “olho grande” e não de gente que prefere fazer as coisas em benefícios políticos e pessoais que em nada contribuem para o desenvolvimento nacional e acima de tudo os distritos as têm em número suficiente.

Como se pôde ver as constatações por mim apresentadas nos dois casos não são descobertas científicas ou seja constatações mágicas mas sim uma prova de que faltam pessoas com uma outra qualificação, uma visão diferente para que com em comunhão com as experiências das comunidades locais resolvam esses problemas e outros que enfermam as nossas comunidades, isto é, o distrito tem uma tremenda falta de pessoal qualificado e ainda existe uma resistência em recrutar pessoal formado.
Muito se disse sobre a recusa dos jovens qualificados em trabalhar nos distritos, mas com o projecto “Férias Desenvolvendo o Distrito” da AEFUM, jovens finalistas e recém graduados mostraram a sua enorme vontade de fazer do distrito um verdadeiro “Polo de Desenvolvimento”, de ter um emprego no distrito, desenvolverem as potencialidades dos distritos e desta forma contribuírem para o desenvolvimento nacional e erradicação da pobreza absoluta.

Apesar dessa manifestada enorme vontade em trabalhar no distrito ainda há quem resista em não ter quadros qualificados no distrito e não se vê os Admnistradores, Ministério da Adiministração Estatal, Organizações não governamentais que trabalham em prol dos distritos, a afluírem a AEFUM a procura de quadros qualificados e com experiência adquiridas das realidades distritos que possam ser uma mais valia, como também o processo de tramitação para o recrutamento do pessoal específicamente na função pública acabam sendo constragedores para que o distrito possa realmente ser o polo de desenvolvimento.

Porque existem muitas e várias lamentações no anonimato, gostava de deixar bem claro que esta não é mais uma dessas é pelo contrário, uma lamentação de um jovem formado em Relações Internacionais e Diplomacia com enorme vontade em contribuir onde quer que seja para erradicação da pobreza absoluta.

Gostava de terminar agradecendo a AEFUM pela oportunidade concedida e pedir aos decisores nacionais que recrutem pessoal qualificado para gerir os 7 milhões pois se não formos sérios na gestão do apoio externo, poderemos ver a “torneira” externa fechar-se sem termos criado mínimas condições para continuarmos a caminhar rumo ao desenvolvimento económico e nós os jovens formados estamos dispostos a partir de já para trabalharmos em prol do desenvolvimento nacional.

Bem haja o Distrito o polo de desenvolvimento.

4 comentários:

  1. Passei a detestar os discursos quando percebi que muitas vezes não passam disso...DISCURSOS...a luta contra a pobreza absoluta, espirito de deixa andar... distrito o polo do desenvolvimento...blá, blá, blá...
    enchem-nos os ouvidos esses discursos, o povão munido de ignorância ou lealdade pardidária aplaude mas na vida real, no cotidiano, no prato com diz Azagaia, nada muda... e se muda não é na proporção dos discursos...
    Não basta querer que o distrito seja o polo de desenvolvimento... não basta alocar milhões ou biliões seja lá de meticais ou dolares em mãos de gente faminta e despreparada para gerir dinheiros e gerar desenvolvimento...
    Chega de falação vamos pôr a mão na massa... as vezes penso que esses discurso só servem para sentirmos o calor dos discursante, pensarmos erradamente que pensam em nós...Quanto do que se destina ao distrito fica lá na capital?
    Mbora lá acordar povão.... discursos basta...
    nelsonleve@hotmail.com

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  2. na boa até gosto da vossa iniciativa,mas vejo que há descriminação na participação dos estudantes.............qto ao discurso poupe-nos já deu.......

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  3. Anonimo,

    Nao tenho respostas, nem comentarios, pra os problemas que vce nao coloca, parabens por comentar da proxima elabore um pouco mais e diga seu nome.

    Agora Nelson, penso que o seu comentario e mais uma densificacao do que o tema em parte coloca, o que nao quer dizer que seja mau alocar fundos aos distritos.

    Abraco

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  4. O partido no puder, que se confunde claramente com o Governo ja tem o controlo dos seus putencias eleitores "Analfabetos" que facilmente baixam a cabeca aceitando que o que e nosso seja propriedade privada de uma minoria de governantes corruptos e ambiciosos. Se formos a escutar e abservar os discursos do "Saudoso Samora" deixa claro que todas as riquezas de que o Pais dispoe, nomeadamente Petroleo, Gas, Ouro, pedras preciosas, carvao mineral, diamante, entre outros ja tinham sido descobertos mais como os actuais governantes tinham os seus intereces em primeiro lugar, ANIQUILARAM BRUTALMENTE O PRESIDENTE DO POVO para lougrarem os seus itentos. O actual Governo me decepsiona...............   

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