quinta-feira, 20 de novembro de 2008

19 de NOVEMBRO de 2008 . Eleições em 43 Autarquias de Moçambique

UMA ANÁLISE AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM MOÇAMBIQUE

Decorreram, no dia 19 de Novembro, no território Moçambicano, as terceiras eleições autárquicas, em 43 círculos eleitorais, em que se vão eleger os membros das assembleias municipais e os presidentes das assembleias municipais. Foi um acto que demonstrou a consolidação da consciência democrática do povo moçambicano, o que consequentemente, vai reforçar no "concerto" das nações a imagem de que Moçambique é um país com uma estabilidade política e a perseguir a tradição democrática.

Permitam-me aproveitar para referenciar que foi com alguma tristeza da minha parte que não registei no acto da campanha eleitoral os partidos políticos a excomungarem das suas fileiras ou a repudiarem os seus seguidores que tenham se envolvido em acções pouco abonatórias e que manchem o espírito de equilíbrio democrático e de livre participação política, mas acredito que poderá ter sido feito ao nível interno, mas dá um outro poder didáctico e demonstra maturidade quando estes posicionamentos cometidos em público, as suas medidas também sejam públicas, mas acredito sinceramente, que chegaremos lá.

Apesar de nas primeiras horas, as mesas de voto, terem registado alguma afluência massiva de munícipes, também é verdade que o nível de abstenção foi bastante alto e preocupante rondando numa estimativa preliminar dos 58%, ainda que se tenha registado um crescimento do nível de adesão com relação as últimas eleições. É imperioso que a sociedade encontre respostas para tão elevado número de abstenções, mas deve ser preocupação principal para a CNE/ STAE e os partidos políticos encontrarem essas respostas, para um facto que seguidamente avançamos algumas respostas.

Poderá ter sido um dos factores de grande abstenção o fraco trabalho de educação cívica realizado pelas instituições que organizam o processo eleitoral, lembrando que pouco se viu ou até mesmo não se viu a CNE juntarem grandes aglomerados populacionais explicando sobre a necessidade do processo sobretudo nas regiões peri-urbanas e zonas rurais, acompanhado de escolhas de candidatos que pouco e de forma nenhuma criavam confiança ao cidadão comum, ao mesmo tempo que víamos fracos programas eleitorais, ou projectos eleitorais que pudessem convidar aos indecisos, e apolíticos, aderirem ao processo.

Se no acto de recenseamento eleitoral, vimos computadores a fazerem o registo de eleitores, era imperioso ou melhor justificava-se que ao menos por cada assembleia de voto fosse instalado um computador com os dados completos dos membros da respectiva assembleia, por forma a permitir que todos quanto, tenham perdido o seu cartão, facilmente possam encontrar os seus dados, e assim efectuarem o seu direito cívico. Outro aspecto, no qual devemos melhorar é sem dúvida nos meios que estão a disposição quer os meios materiais e humanos, nos materiais me refiro a cadernos eleitorais com indicação alfabética, mais mesas de voto para diminuir enchentes e evitar desistências, e no que tange aos meios humanos, fazer uma triagem antecipada do pessoal e formá-los por forma a garantir que se tenham pessoas que estejam realmente preparadas por forma a atenderem de forma eficaz e eficiente a demanda dos munícipes.

As detenções de alguns candidatos nas vésperas da campanha, e sua libertação sem que se tenham permitido que fizessem uma campanha plena, são também algumas acções que retiram a competitividade do processo, isto é, a mensagem partidária não chega, os eleitores não aderem as urnas com a leitura de que o vencedor já se tenha encontrado.

Acredito que já é chegado a hora de alguns locais como, zonas agrícolas, mercados ou pontos de aglomeração de informais tenham mesas de voto, isto é, aproximar cada vez mais as mesas de voto a um grupo de pessoas que defendem com algum sentido que não podem perder um dia da sua actividade sob pena e risco, de colocarem o sustento da sua família em risco.

Estes são sem dúvidas alguns dos aspectos vividos neste processo que devem sem dúvida merecer alguma reflexão, e emendas quer por parte da sociedade, quer por parte dos partidos políticos ect. Ainda assim, existem alguns aspectos a volta deste processo que engrandecem em muito o nosso sentido democrático, e que expressam o crescimento de sentido de organização e de Estado.

Importa neste aspecto começar por clarificar que foi com alto sentido de Estado e grande sentido educativo que Sua .Excelência o Presidente da República fez as suas aparições neste processo, sabendo equilibrar entre as suas funções políticas e o as suas obrigações de Chefe de Estado, penso que é algo que deve ser registado e congratulado.

Neste diapasão seguem-se o trabalho isento desenvolvido pelo Conselho Constitucional que soube usar quiçá da equidade para resgatar a justeza no processo eleitoral, e o órgãos eleitorais que atempadamente colocaram os meios nos devidos locais e melhoraram consideravelmente o seu nível de organização.

Não podemos nos esquecer que neste processo a comunidade internacional não terá dado o seu GRANDE apoio, mas mesmo assim o Estado Moçambicano, soube fazer esforços para tornar possível o processo e de forma assinalável, e também o facto de grande parte dos observadores eleitorais serem nacionais, começamos desta forma a ser “donos” dos nossos processos eleitorais e principalmente começa a se iniciar um novo paradigma no relacionamento com a comunidade externa, isto é, passam a perder peso quanto a validação dos nossos pleitos eleitorais e também demonstramos que somos capazes de forma autónoma de “fazer coisas”.

Estas eleições tiveram a Beira como o centro das atenções, tiveram a Beira como o ponto mais alto da demonstração do nosso sentido de competitividade democrática, pelo que, quero antecipadamente alertar que a Beira pode ser contrariamente ao que muitos pensam, o ponto de inicio da decadência das forças políticas pré-estabilicidas no nosso cenário político, principalmente se tiverem um papel recorrente de “inviabilizarem” na essência etimológica da palavra a governação do Edil da Beira.

Feitas estas análises resta-me congratular a comunicação social, as forças políticas, aos grupos e movimentos de cidadãos, aos órgãos de organização eleitoral, aos cidadãos que exerceram o seu direito de voto, mas principalmente a todos os candidatos quer representados por forças políticas, quer de forma independente, pois estes quanto mencionei, tornam cada vez mais possível a construção e consolidação do ESTADO DEMOCRÁTICO MOÇAMBICANO.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

QUE LEITURA AO PRIMEIRO DISCURSO DO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – BARACK HUSSEIN OBAMA

O PRIMEIRO DISCURSO DO PRESIDENTE BARACK OBAMA


Como já tinha teorizado e analisado no passado mês de Junho, Obama candidato democrata venceu o seu último adversário o Senador John McCain e tornou-se no mais recente Presidente dos Estados Unidos da América apesar de que a sua tomada de posse será em Janeiro de 2009, e fez no dia 05 de Novembro de 2008, em Chicago o seu primeiro discurso, após ter sido reconhecida a sua vitória nas Eleições para Presidente dos Estados Unidos da América.

Estive desde a primeira hora de votação a acompanhar o desenrolar dos factos, as leituras dos resultados feitas pelas maiores cadeias de análise dos EUA que me chegavam através da CNN, pelo que, apesar dos números finais é importante reconhecer que a “teimosia” de McCain verificou-se nas urnas, não foi de todo fácil para Obama, lembro-me que os primeiros resultados na primeira percentagem davam algum avanço do McCain que acabaram tendo alguns avanços e retrocessos que culminaram com a inequívoca vitória de Barack Hussein Obama.

Por ter acompanhado o desenrolar dos factos tive também a oportunidade de ver as falanges de apoiantes de Obama a entrarem em Chicago no local onde Obama fez o seu primeiro discurso. Era um local de alegria, um local concentrado maioritariamente por jovens, com presença de adultos, onde se faziam presentes velhos, mulheres, crianças, negros, imigrantes, enfim, o povo norte-americano estava ali para ouvir o primeiro discurso do Presidente dos Estados Unidos da América.

A entrada de Obama deixou fascinada aquela multidão, e certamente a muitos cidadãos para quem Obama se dirigiu por via da Rádio, dos ecrãs da TV, pela Internet, e por a’i fora. No seu discurso Obama, disse que estava a falar para os Americanos, (Hispânicos, Afro-Americanos, Imigrantes, ect, ect), sem distinção de qualquer índole, tendo dito que os resultados da eleição constituem uma resposta aos que já não acreditavam nos princípios dos fundadores dos EUA, é uma resposta para aqueles que acreditam que o principio mais nobre do povo Americano é a Democracia e não a força das armas ou da sua economia.

Obama, parabenizou ao povo Americano por ter sido paciente em esperar longas horas para exercer o direito de voto, e usou mesmo o exemplo de uma cidadã de mais 106 anos que apesar da sua idade votou, lembrou essa cidadã q viveu os períodos de opressão, e o fez para que os filhos dos netos dos seus netos não tivessem a mesma sorte dos tempos passados, ou seja, para que o futuro fosse mais risonho para América.

O primeiro discurso de Obama, após saber da sua vitória Eleitoral, apesar de ter o mesmo brio na oratória, ser profundo e apaixonante, não foi similar aos discursos de campanha, Obama começou a preparar o povo para dias difíceis, ou melhor dias de incompreensão, aquilo a que chamo de dias de Governação, que serão claramente dias diferentes, com acções e discursos um pouco fugidos das declarações de campanha, tendo sobre este aspecto, solicitado uma antecipada compreensão por parte de todos, pois segundo ele apesar de continuar a ser Obama, “eu serei também o vosso Presidente” e penso que este foi um dos momentos sob ponto de vista de liderança de grande importância.

A característica profunda de Obama e de homem digno não ficou esquecida nesta sua primeira intervenção como “Presidente dos Estados Unidos da América” tendo justificado as suas qualidades com a forma elegante como tratou o seu adversário (John McCain) dizendo que o congratula pela forma como transmitiu ao longo de todo os anos, inclusive nesta campanha, o seu amor para com a causa Americana e é uma das pessoas com quem certamente vai querer colaborar para restaurar o sonho Americano.


YES WE CAN.

“Sim nós podemos”.
No seu discurso Obama vezes sem conta atingiu de forma profunda aos milhares de apoiantes, enunciando uma série de desafios que América tem pela frente mas que serão alcançados, com a colaboração de todos, tendo mostrado quando abordou a sua mensagem para o exterior de que pretende ser um Presidente amigo da paz, mas que não exitará em perseguir e derrotar aqueles que pretenderem levar o mundo ao caos ou o caos ao mundo.

O novo Presidente dos Estados Unidos na sua hora de discursar não esqueceu de fazer menção a sua equipe de trabalho, o seu Vice Presidente Joe Biden, a sua esposa, filhos, familiares, os directores de campanha, estrategas eleitorais, os apoiantes, as figuras, enfim recordou que o seu triunfo era uma obra de equipe e que essa era a marca de mudança que pretende trazer.

De facto Obama é o primeiro Presidente negro dos EUA assim se viu na foto de família, na passagem dos familiares na hora de saudação de agradecimento aos apoiantes, mas eu prefiro lembrar a todos que Obama é muito mais do que isso, é o Presidente dos Estados Unidos da América, e na madrugada de hoje, no seu discurso, começou a afastar-se do candidato de forma não muito abrupta, mas demonstrou o que já tínhamos avançado, existe uma grande diferença entre os discursos de campanha e os discursos do Presidente de qualquer Estado, ademais, um Estado com responsabilidades mundiais como é o caso dos Estados Unidos da América.

Felizmente, as Cartas de congratulação pela vitória de Obama chegadas desde a Venezuela, Israel, Palestina, União Europeia, Quénia, Japão, Cuba, e demais países mostram que o mundo está em torno de Obama, um factor que pode ser determinante para que Obama opere o tão apregoado CHANGE in USA que terá impactos pelo mundo inteiro. “ENFIM, OBAMA NO SEU DISCURSO NÃO DEIXOU DE SER PROFUNDO MAS DEIXOU AS PRIMEIRAS MARCAS DO REALISMO DE QUALQUER PRESIDENTE NORTE-AMERICANO”

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A CRISE FINANCEIRA GLOBAL

DA CRISE ECONÓMICA NORTE-AMERICANA A UMA CRISE MUNDIAL

Em Agosto de 2007 veio ao de cima uma crise no sector financeiro norte-americano desencadeada pela procura no mercado imobiliário. Uma crise que é o reflexo da recessão económica de 2000-2001 e de 2003 em que o mercado de habitação foi promovido para estimular a retoma da economia através de um fornecimento de linhas de créditos bancários sem muito rigor de análise das capacidade dos cidadãos e nem mesmo sem rigor prático bancário exigido para créditos a longo prazo. Isto levou a que muitos cidadãos tivessem acesso a esses linhas e como muitos deles não conseguiram cobrir os empréstimos aos financiadores de hipótecas (bancos), e pela quantidade de empréstimos não cobridos, os bancos tiveram altas perdas mas também geraram um alto nível de endividamento, com o agravante de que os gestores dos sistemas finaneiros iam recebendo altos salários e compensações que contribuíram para o ruír do sistema financeiro norte-maricano.

Mas porque as economias dos países, principalmente os mais desenvolvidos do globo está praticamente atada uma a outra e os bancos representam o grande elemento de conexão dos mesmos, através de empréstimos, de garante de investimentos e de depósitos de capitais que envolvem grandes empresas e grandes corporações internacionais sediadas em várias partes do mundo foi assim que como que num estalar de dedos que os outros centros económicos entraram automaticamente em crise facto que pode se testemunhar com o efeito das bolsas de valores globais que teve também um efeito e acompanhou as leituras dos mercados globais.

Actualmente esta crise já deixou de ser uma crise do sector imobiliário, ou simplesmente do sector bancário, ela passou a afectar directamente o funcionamento de corporações privadas, afectou a confiança dos utentes bancários com relação aos juros empregues, baixou a proporção de consumo e consequentemente travou o nível de investimentos o que não só vai gerar mais desemprego, vai quebrar as expectativas de crescimento de vários países, levando a falência muitas e grandes empresas e Estados levando ao colapso do sistema financeiro global.

Certamente que os bancos centrais das economias mais desenvolvidas tiveram que intervir, não só para evitar que vários bancos fossem a falência levando consigo investimentos de muitas famílias o que certamente geraria um drama social com grandes repercurssões, mas principalmente com objectivo de travar o colapso do sistema financeiro global o que poderia ser um factor mobilizador de uma grande depressão social a escala global com consequencias imprevistas.

Nos Estados Unidos onde a crise se desencadeou foi desenhado o plano Paulson que deu lugar a uma injecção de 700 biliões de dólares para não permitir que bancos acabassem por ruír mas ainda assim está claramente perspectivado a queda de mais alguns bancos e seguidamente a União Europeia reuniu-se urgentemente para combater a crise com medidas únicas falando numa só voz numa altura que as grandes economias como a Alemã estão em fase de contração, a Islândia uma das mais robustas economias globais está a beira da falência. Neste cenário a grande pergunta que se faz é o que se espera para os países menos desenvolvidos como Moçambique.

As leituras de vários economistas e de instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e FMI dizem que a crise vai atacar largamente aos países que estão intimamamente ligados as economias globais o que não é o caso de grande parte dos países Africanos ou em vias de desenvolvimento e que por exemplo a África do Sul pode ser uma das economias que possa sofrer parcialmente, ou indirectamente, pois o seu nível de exposição as grandes cadeias económicas globais são muito superiores dos países como Moçambique.

No entanto é preciso entender que se por exemplo para Moçambique o problema do preço de combustível era um problema, deve ficar claro que com a crise o combustível vai caír, mas pelo facto das grandes economias encontrarem centrados na resolução dos seus problemas económicos que terão que ser assistidos a médio e longo prazo, poderemos ter alguns problemas, visto que com a queda no consumo, os grandes investimentos que geram rendimentos que possibilitam o apoio aos países em desenvolvimento vão travar ou até mesmo parar e certamente que as grandes linhas de apoio aos PVD vão conhecer algumas limitações, os investimentos previstos para os PVD terão que ser repensados pois vai se assistir uma minunciosa atenção a empregabilidade de capitais porque as grandes companhias e economias certamente que quererão investir em projectos de lucros seguros e a curto prazo.

O facto de capitais Africanos representarem menos de 5% do comércio global parece-me que deveria constituir um factor actrativo para aos grandes investidores globais, pois a crise foi gerada numa tentiva de promover a retomada da economia a partir dum mercado extramamente concentrado, o que certamente teria outro impacto se fosse usado um mercado “virgem” como o Africano, onde certamente a um fraco poder de compra facto que tambem poderia constituir uma oportunidade, pois deveriam ser privilegiados sectores que não só poderiam fortificar as capacidades do consumo africano mas poderiam constituir um factor de complementaridade dos mercados globais, Africa saíria a ganhar e o mercado global também, mas certamente esta e uma recomendacao a ser levada aos grandes economistas, as corporacoes financeiras internacionais e porque nao ao Grupo de Paises mais industrializados do mundo.

Nesta altura em que se diz que o pior ainda está por vir, esperemos que os detentores dos capitais globais “desconcentrem” a localização dos investimentos e tomem medidas acertadas para dar resposta a crise e podemos adiantar que os sinais da recessão de 1929 estão lançados, e a crise poderá chegar a essa dimensão. No entanto vai jogar um papel fundamental a forma como as economias globais vão lidar com as economias periféricas e a busca da confiança do sistema financeiro das grandes economias pelo que esperemos que a declaracao de garantia de liquidez por parte dos Estados aos bancos traga a confianca necessaria para o sector financeiro global.

Um alerta especial deve ser chamado aos dirigentes e gestores financeiros das economias periféricas como Moçambique, para que comecem a desenhar acções para se desamarrarem “urgentemente” da dependência externa e para que não só fiquem atentos ao xadrez económico global que vai sendo desenhado, mas que comecem a enunciar medidas tendentes a contrabalçar a crise pois num futuro muito breve estas economias vão experimentar dias difíceis que vão agravar a já difícil situação de vida dos seus povos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O CONFLITO NO CÁUCASO E ASCENÇÃO DA RÚSSIA

A NOVA RÚSSIA - O ERGUER DE UMA SEPERPOTÊNCIA

Os factores Geopolíticos e geostratégicos, sao alguns dos mais destacaveis na analise e comportamento dos Estados na defesa dos seus interesses vitais, e estes devem ser vistos como um conjunto de elementos e condições ou agentes de natureza geográfica e estratégicos susceptíveis de serem operados na construção de modelos de interpretação da realidade Política.

O caso da Russia e sui generis no que tange ao enquadramento destes factores no alcance do interesse nacional, e constituiram ao longo dos termpos factores determinantes no delinear da sua Politica Externa. Estamos claramente a fazer saber que os factores geopolíticos e geostratéticos constituem os elementos pivotais quando se pretende perceber como a Rússia tem conquistado o seu poderio ao longo dos séculos, e podemos de forma teórica garantir que estes factores, justificaram o conflito no Cáucaso, e como se fez referencia estes factores podem nos ajudar a compreender o reerguer da nova Rússia.

O erguer da Rússia é uma realidade. Uma realidade baseada na sua ascenção e “controle” da região do Leste Europeu, desafiando a aspiração do alargamento da União Europeia ao esférico geográfico das ex-Repúblicas Socialistas Soviéticas, pois foi sempre o controle desta região que justificou a condição de grandeza da Rússia, acima de tudo uma ascenção com o grande mérito de ser acompanhada pela consolidação da sua economia sendo das que mais cresce ao nível do globo, com o grande ganho de estar anualmente a registar altas taxas de décrescimo do desemprego, aumentando o poder de compra, garantindo assim a melhoria das condições de vida dos cidadãos Russos.

Queremos recordar que apesar da Rússia ter saído no final da II Guerra Mundial totalmente atingida pela guerra o que a deixou em condições deploráveis, ainda assim elevou o seu Status de suporpotência devido ao seu poderio militar mas foi sobretudo pelo facto de ter conseguido estender a sua influência política e ideológica pelo mundo fundamentalmente sobre o Leste Europeu que a Russia atingiu a sua grandeza no globo.

E com ascenção de Vladimir Putin para comandar os destinos do Kremlin, não só veio colocar o fim na recessão deixada por Yelstin e Gorbacthev mas fundamentalmente veio dar um rumo a Rússia, abrindo portas para um “captalismo” que só permitiu o erguer da economia Russa com uma gestão dos jazigos de petróleo e gás que ajudaram a consolidar e equilibrar as relações com a Europa, uma espécie de captalismo não doutrinário, que não rompeu com os grandes alicerces de domínio Russo, baseados num forte controle do Estado, pouca abertura para as liberdades civicas, e um apoio económico aos países da região que foi permitindo garantir a Rússia a influência junto da região. A governação de Putin aproximou a Rússia da Europa na condição de parceira, baixou a tensão com os EUA, e fez com que a Rússia ganhasse um lugar de destaque no concerto das nações.

Esta consolidada governação de Putin no Kremilin que teve de ser terminada por força da Constituição, uma vez que já não podería se recandidatar a um terceiro mandato, apesar do povo assim o desejar, está sendo seguida por Dimitr Medvdev, ademais, o Presidente Russo, tem como seu Primeiro Ministro, Vladmir Putin, de tal modo que está claro que a Rússia abriu um espaço para que Putin continuasse a dar segmentos ao seu projecto de ascenção política, económica e militar da Rússia.

A diplomacia americana que lêu (tardiamente) a ascenção da Russa, constatou claramente que a Europa já não estava em condições de "travar" a ascenção Russa, e que pelo contrário, a estabilidade Europeia e o seu crescimento dependiam em grande medida da Rússia. Foi nesta leitura em que os EUA viram uma Europa cada vez mais "presa" a Russia que determinou o avanco da Diplomacia Americana na tentativa de travar o avanco da Rússia rumo a captura do Leste Europeu, uma região fortemente dividida por fronteiras étnicas. A medida inicial americana foi a proposta de reconhecimento da independência do Kosovo, contra a vontade da Sérvia e da Rússia e no campo estratégico decidiu com justificação de proteger interesses norte-americanos, instalar escudos antí-misseis na Polónia.

Todas estas acções levadas a cabo pelos norte-americanos não só representam que a Rússia começa a ser uma ameaça cada vez mais real para os EUA sob ponto de vista de hegemonia mundial e que estas acções visam não permitir que a Rússia volta a recontruír o seu grande império, mas se olharmos atentamente para a "cautela" com as quais elas são desencadeadas revelam que os EUA reconhecem o poderio Russo.


A aspiração Europeia de alargar a sua coligação para países vizinhos da Russia, isto é, as ex-Repúblicas Soviéticas, bem como para a tentativa Norte-Americana de travar o controle Russo da região do Leste Europeu, não tardou e foi a que a UE e os EUA menos esperavam, uma vez que a Rússia invadiu o Cáucaso atacando a Geórgia de Mikhail Saakashvili destruindo infra-estruturas estratégicas e militares como é a ponte Kaspi que assegurava o abastecimento de petróleo do Azerbaijão á Geórgia e Arménia, uma invasão que teve a justificativa de constituir um travao a itenção de Tbilis em recuperar a força a região separatista da Ossétia do Sul protectorado Russo.

Como resultado desta intervenção que culminou com a declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abkházia que foram copiosamente reconhecidas pela Rússia em resposta ao caso do Kosovo, a Rússia não só passou uma mensagem de domínio para países com os quais não tem óptimas relações (Polónia, República Checa, Ukrânia, etc, etc) para além de ter colocado mais distante da UE a Georgia e a Ucrania, mas também demonstrou que a Europa não está em condições de enfrentar vigorosamente a Rússia. Acima de tudo esta intervenção foi fundamental para que a Rússia desse um grande avanço para alcance do seu “grande” interesse de controlar efectivamente o Mar Negro.

Como resposta ao propósito dos EUA de colocar os escudos antí-mísseis na Polónia, a Rússia enviou para Venezuela dois bombardeiros estratégicos da Força Aérea Russa “Tupolev-160” e vai realizar com estes país manobras de treino militar envolvendo vasos de guerra com mísseis nucleares e convecionais aviões da marinha, como que a caminho de se instalar estratégicamente na Cuba ponto geostratégico muito importante para conter as acções militares norte-americanas anti-rússia.

Todas estas acções desencadedas por estas potências e/ou Estados são melhor lidas a luz da teoria de jogos que é um método formal e matemático de análise do processo de decisão em situações de conflito ou de crise e podemos desde ja dizer que pelo nivel de accoes desencadeadas entre os contendores este e um jogo equilibrado.

Sem dúvidas que estas acções terão algum impacto negativo para a Rússia, principalmente porque a Europa vai intensificar os esforços de saír da relacao de dependencia em que se encontra com a Rússia devido aos recursos energéticos (petróleo e gás) e pelo que se sabe a Inglaterra já anunciou um encontro para discutir o uso de energias renováveis, isto terá certamente repercussões no crescimento económico Russo fortemente dependente dos recursos energéticos, mas como se sabe sao projectos, que tem o seu tempo para a sua materializacao.

Ainda assim, a grande análise que se deve retirar das acções desencadeadas quer pela Rússia ou contra a Rússia, como se fez referência no título e no desenvolvimento do texto, é que a grande Russia esta se erguendo, construíndo a nova Rússia , que pode não ser necessariamente similar as fronteiras do Grande Império Russo, mas certamante que a longo prazo o mundo verá erguer-se a Nova Rússia também muito forte e com grande capacidade de influência global.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

MARXISTAS ONTEM; JOVENS HOJE

O QUE É SER JOVEM AFINAL?

Bem, comemorou-se no passado dia 12 de Agosto o Dia Internacional da Juventude. Foi assim em todo o mundo e em Moçambique não foi excepção, em todas as províncias foram organizados eventos para assinalar a data e confesso que não participei nesses eventos porque não podia mas tambem tenho que ser aberto e dizer que nao me identificava com as agendas programadas, isto é, esperava grandes temas, para grandes problemas, como os são os da Juventude Moçambicana.

Mas mesmo sem ter participado nas comemoracoes enviei mensagens de felicitações para amigos, figuras, dirigentes, colegas que tem dado muito de si em prol da Juventude Moçambicana e mais uma vez quero neste texto reiterar o meu aceno de reconhecimento pela entrega e dedicação pelo trabalho desenvolvido por essas muitas pessoas que apesar das contrariedades tem tentado fazer pelos Jovens.

A discussão sobre o papel da Juventude na promoção do desenvolvimento nacional em Moçambique começou a bastante tempo, razão pela qual nos tem sido inculcada a existência de uma geração na qual nos devemos inspirar, a geração de Jovens que deixou de lado os seus sonhos, e aspirações para lutar pela independência do povo moçambicano do jugo colonial Português e com muito querer e sacrifício essa geração vincou, hoje somos um Estado, uma Nação, um país com trinta e três anos de Independência, devemos isso ha alguns jovens, aos Jovens Marxistas de Ontem.

Essa geração que lutou pela independência deste país, adoptou o Marxismo como linha de orientação para organizar o Estado, e o fez sem saber muito bem o que era isso de Marxismo, mas devo dizer que em algum momento o fizeram tão bem que no início dos anos 80 o país teve dos melhores índices de desenvolvimento económico da historia deste pais. Bem, quando me “atrevo” a dizer que adoptaram o Marxismo sem saber muito bem o que era isso me socorro exactamente dos escritos e depoimentos que jovens dessa era tem nos brindado hoje através de livros, entrevistas,debates, artigos de jornais, ect, mas sobretudo porque pessoalmente me é e continuará sempre difícil de perceber como alguém que a trinta anos atrás, só trinta, era um ferrenho Marxista, um adepto incondicional da estratégia de economia centralmente planificada, tenha passado hoje a banqueiro, capitalista ademais a um capitalista selvagem sem um minimo espaco para o Estado, este ser abstracto que tanto defendo a sua existencia em solo patrio, o que me leva a concluir que é nenhum momento (OS JOVENS DE ONTEM) tenham sido ideologicamente defensores por conviccao de alguma corrente, isto e, nao foram nem Marxistas ontem, nem capitalista hoje, apenas meros actores figurantes em função das oportunidades e circunstâncias que a conjuntura interna(CIONAL) foi ditando.

É sempre bom que ao exteriorizarmos as nossas ideias os leitores como é o nosso caso percebam o alcance da nossa mensagem. Por isso deixa-me dizer que chamamos aqui os Marxistas de ontem que eram jovens quando realizam as suas façanhas históricas e que estão voltando a sê-lo hoje depois de terem sido velhos e moribundos por uns bons e largos vinte e tal anos, para nos ajudar a compreender o que é isso de ser jovem e qual o papel do Jovem no seio de uma sociedade, particularmente, do que é que a sociedade Moçambicana espera dos seus Jovens.

Ora, chegados a esta fase em que os factos estão mais ou menos colocados de forma simplista deixa-me dizer o seguinte: O meu conceito de Jovem não comunga com o conceito legalmente estabelecido, pelo que me consta sao por lei jovens os individuos dos 15 aos 35 anos. NÃO, para mim Jovem é definido por uma palavra que bem caracteriza aos jovens “irreverência”, deve ficar claro que o sinónimo de irreverente, não é e nem pode ser desmando ou desmantelador.

Vem daí que assisti com algum encanto a nomeação para o Comité Central do Partido Frelimo, de alguns jovens “de idade” que acreditei que por essa via traziam alguma irreverência, pois assim, naquele nível decisório poderiam colocar de forma irreverente passe o termo, alguns problemas que apoquentam a Juventude Moçambicana, poderiam ser mais interventivos naquilo que são os desígnios da governação actual, esperava que fossem promotores de debates externos na busca de soluções para o Governo poder responder com sabedoria e mestria aos desafios em que nos encontramos mas para o meu desagrado e desapontamento de muitos irreverentes, estes jovens se mostram mais velhos que os próprios velhos, amarrados a dogmas que os próprios velhos vão aos poucos “desmachando”, estáticos, e perfilados em posicionamentos nao muito convincentes, com medo de agir e de fazer, enfim, não estamos a tirar o proveito que augurávamos de ter jovens nesse grande pólo de decisão, certamente e sem dúvidas chegaremos lá, mas como de habitual fora do timing.

Mas para a minha satisfação alguns velhos descobriram que a irreverência é a característica básica da Juventude por isso descobriram depois de muito tempo que ainda é possível ser se jovem, e nesta lista imensa de “vellhos” irreverentes deixa-me dizer que são muitos mas quero destacar alguns, (Namburete, Sérgio Vieira, Alice Mabote, General Jacinto Veloso, Jorge Rebelo, Armando Guebuza, Joaquim Chissano, Graça Machel.......) olha a lista extensa, não que sejam muuuitos, pois eu assim o desejava e seria benéfico que o fossem aos milhares, mas esses são alguns dos poucos velhos que nos tem brindado cada um na sua hora e a sua moda com declarações e atitudes que poucos de nós teria a coragem de tomar, aquilo a que chamo de decisões irreverentes próprias de jovens, que infelizmente nós os jovens de idade somos moldados para não as tomarmos sobre o risco de vermos o comboio das oportunidades passar.

E então vejamos, num país em que grande parte da população é jovem porque é que continua sendo tabu quando ainda que com esmero e competência adquiridas e comprovadas vê-mos um jovem a tomar cargos de destaque? Este é um país que não pode viver exclusivamente do passado deve e merece ir para frente, mas também temos uma história rica que nos pode servir para aprender algumas coisas. Alguém se lembra ou se terá esquecido que os Marxistas de Ontem eram jovens quando tomaram o poder do jugo colonial para proclamar a Independência Nacional, e que ainda Jovens dirigiram esta nação até hoje que estão a rejuvenescer?

Quero ser sincero, este texto não termina aqui, terminará quando os Jovens deste país unirem-se em prol do desenvolvimento nacional, quando definirmos uma agenda clara e mecanismos de actuação para marcarmos a nossa geração, o que só poderá acontecer quando os Jovens Moçambicanos, nos mais diversos ramos de actividade, dos diversos partidos, das diversas secções assumirem o seu verdadeiro papel de irreverentes pois os exemplos dos Marxistas de Ontem nos mostram que em algum dia teremos que recuperar o tempo perdido como temos acompanhado. “PARABÉNS AOS IRREVERENTES”.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

RUMO A CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA EM MOÇAMBIQUE

PARABÉNS GUEBUZA E PARABÉNS CRÍTICOS


Primeiro começar por dizer que escrevo este artigo porque tenho acompanhado desde a última sessão extraordinária do comité central da Frelimo, em que o Presidente do partido Frelimo, o Excelentíssimo Senhor Armando Guebuza proferiu a sua resposta para aqueles que na sua visão atacam os esforços do governo sem no entanto apresentarem alternativas e por essa razão ter desencadeado pela imprensa e conversas acesos debates de análise do Discurso do Presidente da Frelimo.

Sem querer entrar “naquele debate”, mas porque sou daqueles que defendem a existência do Estado ou se quisermos daqueles que lutam para existência do Estado me importa clarificar que Armando Guebuza esteve a falar como Presidente da Frelimo, e na minha análise na sua qualidade de Presidente do Partido que governa esteve simplesmente muito bem, mas muito bem.

Fugindo um pouco do cerne do que se pretende abordar neste texto, deixa-me dizer que enquanto analista político eu ficaria extremamente admirado se o partido Frelimo não respondesse com a devida “dose” aos seus detratores, pois politicamente ao meu ver seria uma espécie de quem cala consente, e isso teria em algum momento o seu preço, infelizmente, a nossa “obsoleta” oposição como diz um dos críticos, não tem nos brindado com contra-propostas a Revolução Verde, Bio-combustíveis, daí que em minha análise política temos que ser coerentes e dar parabéns a Frelimo pelas alternativas apresentadas, embora eu ache que tenham que ser muito bem estudadas e aprofundadas, mas em Política fala-se de planos, de alternativas e este partido diferentemente de todos outros partidos e alguns críticos, nos apresenta propostas.

Voltando “a vaca fria”, ora eu como defensor do Estado luto pela existência de uma democracia consolidada querendo desta forma dizer que aqueles que criticam Guebuza tem para mim razão de sua existência, desde que o façam com fundamentos e com perspectiva de construir e melhorar o estado de coisas e não simplesmente de banalizar. Por via disso, também acho legítimo que no mesmo espírito democrático e de liberdade de expressão Guebuza Presidente da Frelimo possa dentro das suas fronteiras partidárias, responder aos detratores do seu governo, visto como entidade administrativa que gere o Estado. Sem querer contribuir para confundir as coisas,permitam-me aproveitar dizer que no mesmo espírito o Chefe de Estado também teria o meu aceno positivo desde que não fosse ali, naquele local, e não usasse os mesmos termos, pois de Presidente do Partido ainda que seja do partido que está a governar para Presidente do Estado Moçambicano há e deverá sempre haver uma grande diferença, mas para o bem, não foi o caso.

Bem, como disse não quero entrar “naquele debate” mas que fique claro para todos quem dita o carro em que o Presidente anda, o seu aparato, como deve ser montado este não é um exercício de responsabilidade partidária é sim um elemento do Estado, por essa razão queria tentar ajudar a clarificar que não são os meios que Guebuza usou para se locomover que o fariam ser Presidente da Republica naquela sessão se nao chegariamos a questionar onde donde ele saiu, isto e, se vem da ponta vermelha e porque era o Presidente da Republica, amigos nao e tao literal assim. Olha, este não é um malabarismo gramatical, como diz o meu ilustre “amigo”, é sim uma verdade existem elementos em toda a parte do mundo que separam as responsabilidades políticas e de Estado e nisso só o próprio discurso de Guebuza é peremptório e claro em desfazer quaisquer equívocos.

Agora, é importante também reconhecer algumas coisas, sobre os direitos e obrigações de um funcionário do Estado, quem os marcara faltas ou coisa parecidas, mas bem esta não é abordagem que pretendo trazer neste pequeno ensaio, mas é certamente algo a tomar em conta, pois como disse a construção e consolidação do Estado Moçambicano (enquanto um conjunto de GOVERNO, POPULAÇÃO E TERRITÓRIO) ser dos meus objectivos centrais.

O que eu quero realmente dizer é que está a se construir ou seja a consolidar paulatinamente o exercício do poder Democrático, a nossa Democracia não é para o Inglês ver, existe e existe mesmo, no entanto devo concordar com Excelentíssimo Presidente da Frelimo, que críticos há que aceito e congratulo a sua existência mas devem começar também a falar e apresentar propostas de soluções credíveis e sobretudo saber valorizar o que de bom é feito.

Mas para terminar deixa-me agradar a um amigo especial e dizendo PARABENS CRÍTICOS E PARABENS GUEBUZA, pois vós, estais a consolidar o nosso regime democrático, os vossos debates certamente vão criar novas dinâmicas para o desenvolvimento desta nossa bela e amada pátria apesar de estarmos ânciosos de ver nascer a nova fase em que se discutem planos e contra-propostas, mas chegaremos lá.

Como sói dizer, TENDO DITO MUITO OBRIGADO.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O PRÓXIMO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA- BARACK OBAMA?!


THE NEXT US PRESIDENT BARACK OBAMA?!


“Tenha sempre medo ao negociar mas nunca tenha medo de negociar”
J.F.Kennedy citado por Barack Obama


Apesar de vivermos numa Ordem Mundial, cada vez mais multipolar, onde encontramos para diversos assuntos Estados mais determinantes que outros, como por exemplo, na tecnologia, na agricultura, no Turismo, no Desporto, na Defesa, enfim, em cada assunto quase que há um Estado mais promissor, isto é, encontramos uma espécie de potencia do sector. Mesmo com esta multiporalidade em que se vive na ordem vigente, os Estados Unidos da América, continuam sendo um Estado com grande capacidade de influência sobre assuntos internacionais, continuam sendo um Estado com um papel central nos assuntos mais candentes a nível global, podemos citar, os casos de Iraque, Médio Oriente, Afeganistão, Protocolo de Kyoto, Direitos Humanos, Ajuda ao Desenvolvimento, etc.

Reafirmada a dimensão que os EUA tem para o mundo, factor que se pôde também constatar com os visíveis efeitos da sua crise imobiliária, atendendo a forma como se repercutiu pelo mundo colocando em risco o sistema financeiro global, queremos convidar ao estimado leitor, para a grande questão que aqui queremos abordar, as Eleições nos Estados Unidos da América, em que acabaram tendo como candidatos em função das eleições nos dois partidos com grande expressão, Barack Hussein Obama pelos Democratas e Jhon Mcain pelos Republicanos.

Estas eleições, que se vão realizar numa altura em que o mundo vive uma crise alimentar, vive uma inconstância no preço do petróleo, assiste uma crise financeira global, crescimento global do nível de desemprego, factores que vão gerando instabilidade em diversos Estados, sobretudo nos países mais desenvolvidos e que acaba tendo sempre consequências nefastas sobre os menos desenvolvidos como é o caso de Moçambique.

É também pelas razões acima descritas, que as eleições de 4 de Novembro nos Estados unidos estão a despertar uma atenção espectacular e invulgar junto dos americanos e do mundo em geral, pois elas são vistas como parte da solução para estes problemas que afectam o mundo. Analistas existem que destas eleições dependendo de quem for o vencedor do escrutínio podem-se agravar os desequelibrios e instabilidade global, o desrespeito pelas normas ambientais e acelarar o colapso do sistema financeiro global.

Direccionando a análise sobre os elementos que mediatizam estas eleições não podemos deixar de fazer menção para o facto de uma mulher a Senadora Hillary Clinton ter se batido com galhardia na luta pela nomeação Democrata, como também pelo facto de Jhon Mcain apesar de não ter sido o Candidato favorito ter ganho os seus adversários ainda na primeira volta. Um elemento que não gosto de fazer menção, mas acredito que não pode ser ignorado é que Barack Obama pode ser o primeiro negro a dirigir os destinos do país mais mediático do mundo, o que não só mexeria com história da “Casa Branca” como também marcaria um novo rumo na história do país do lendário George Washington.

É um pouco complicado, dizer que vou falar de Obama, mas penso que posso apresentar hipóteses de trabalho sobre a quase que certa Presidência de Obama, isto baseado nas entrevistas, nos discursos, nos textos de/e sobre Barack.

Uma das grandes bases de análise para compreender Obama foi uma carta que de Obama respondendo ao João Craveirinha que tive a oportunidade de lêr, e posso dizer que apesar de não ter um cariz político serviu para que eu tivesse uma impressão do lado pessoal de Obama, e em análise Política, existe um nível de análise chamado analise do indivíduo, como ele e as suas características pessoais, podem influenciar na condução dos destinos do Estado o que serviu para eu perceber que Obama se preocupa com a impressão que as pessoas tem sobre ele e sabe ouvir e trocar impresses factores importantes para um líder tomar decisões, em suma, como individuo é assessoravel.

Mas como se sabe o grande trunfo de qualquer admnistração norte-americana é a forma como vai engedrar a Política Externa e através duma de suas entrevistas falando em Texas sobre a sua Política Externa, pode ser consultado www.ontheissues.org/2008_Dems_Texas.htm, não só fiquei com a impressão de que Obama pretende trazer um novo rumo para Política Externa norte-americana como também de que Obama estava a ser demasiado inovador para aquilo que é a realpolitic de United States.

Também é importante reconhecer que dos factores que tem estado ao seu favor destacam-se as lacunas da Admnistração Bush como é o caso ao nível externo, a intervenção no Iraque e o facto dos EUA ainda não terem capturuado Bin Laden, assim como ao nível interno, a recente falencia de bancos e consequente crise do sistema financeiro norte-americano que deixou na incerteza e penúria muitas das famílias norte-americanas de média e baixa renda.

Deixa me dizer que a primeira ilação que retiro de Obama é que é muito bom Politicamente, isto é, sabe aproveitar os seus pontos fortes, é muito astuto, e rápido ao agir, como pessoa é muito profundo, escolhe as palavras para dirigir a cada pessoa e em cada momento, as suas grandes virtudes são o saber reconhecer quando erra. Foi com essa astúcia que Obama escolheu para o cargo de Vice-Presidente Joe Biden que não só é um grande expert em Política Externa com vários e muitíssimos anos ligados ao sector mas principalmente, pelo facto de ter sido um dos maiores se não o maior seu atacante no seio do partido dos democratas, não sera um Yes Man, mas sim um verdadeiro colaborador, o que lhe torna mais forte ainda.

Agora, será que essas qualidades são suficientes para o que os Americanos e o mundo esperam do próximo Presidente dos Estados Unidos da América? Penso que apartir dai avaliação deve ser feita com base nas perspectivas que Obama pretende trazer para a Política Interna e o rumo da Política Externa da sua Admnistracao.

O facto de Obama apregoar que pretende operar “mudanças” pode ser visto como um discurso político, de propaganda, eleitoralista, o que pode ser um elemento contra as suas aspirações, visto que CHANGE é uma palavra muito forte para as classes já muito estabilizadas, as grandes Companhias monopolísticas, os grandes barrões, ect, apesar de CHANGE ser ao mesmo um sinal de esperança para a grande maioria de famílias de baixa renda, negros, mexicanos, imigrantes, e outros grupos sociais, que vêem nisto uma oportunidade de mais apoios aos carenciados, basicamente de redução das desigualdades sociais, e principalmente de uma Americana cada vez mais unida e segura.

Penso que o facto de Obama fazer do seu grande trunfo a Política Externa, definindo Políticas que harmonizam as expectativas do mundo para com os EUA onde defende o fim da presença Americana no Iraque, defende que vai aumentar ajuda ao desenvolvimento aos países em desenvolvimento, vai normalizar as relações com Cuba, está aberto a discutir com líderes de países adversários dos norte americanos (Venezuala, Corea do Norte, Irão, Siría) vê na China um competidor e não inimigo, a Europa um parceiro, são aspectos que claramente marcam uma roptura com o passado, abre novas perspectivas de uma América mais próxima dos problemas globais e menos agressora do mundo, uma espécie de um Realismo Defensivo.

Obama, não se vê como homem dotrinário, isto é, diz que não vai existir uma Doutrina Obama, mas é certo que o que Obama pretende trazer como Políticas é um desafio para sí, e para os Americanos porque vai lhes obrigar a terem uma outra postura para com o mundo algo que os Americanos não sabem o que é e aqui espero sinceramente que as outras raízes Africanas de Obama apareçam para ajudar os Americanos a saberem ser parceiros, influenciarem o mundo como o “desejam” mas através de políticas de aproximação e não de retaliação.

A um facto que poderá surpreender a Barack Obama. É que as dinâmicas globais, e orgulho norte-americano, são dois assuntos que não podem ser vistos simplesmente numa perspectiva de Campanha Eleitoral, são muito mais profundas do que isso. Hoje, Obama converge em sí apoios até de figuras influents no partido Republicano como é o caso do Secretário do Estado Powell esta grande expectative em torno da sua pessoa pode ser também um factor contra sí pois os Americanos pretenderão ver urgentemente as mudanças, os resultados, e se as dinâmicas globais continuarem negativas, Obama poderá ver a sua popularidade baixar muito para além do que imagina contribuindo para nunca conseguir aglutinar os Americanos para o Change tanto desejado.

Certamente, quem estiver a ler o texto sentirá uma dose de dúvida com relação ao futuro Presidente. Concerteza, é própria duma análise sobre algo difícil de teorizar porque da Campanha a liderança existe uma enorme, mas enorme distância, isto é, o que no discurso é fazível, na realidade pode não ser implementável, sobretudo nos EUA onde a Realismo sempre prevaleceu e numa altura em que as dinâmicas da economia global surpreendem a tudo e todos.

Quando analiso as dinâmicas mundiais faço sempre o exercício de vêr em que medida elas podem trazer de benefício para África e Moçambique em particular. Neste contexto, acredito que após Obama estabilizar as dinâmicas internas, com apoio dos Americanos, conseguir reduzir os impostos das famílias de media renda, garantir os imóveis do povo Americano, até isso acontecer, África e Moçambique em particular terá perdido grande parte da atenção da Admnistração Obama que tem muito por restruturar internamente.

Superadas as dinâmicas internas, penso que o que Obama pode de melhor oferecer a Africa não é simplesmente aumentar o volume da ajuda externa, é ver África como um parceiro, incentivar investidores norte-americanos a implantarem grandes projectos em Africa, a deslocalizarem capitais, tecnologias e Know How para erguer África e tronar um centro de comércio global, pois África tem recursos para ser uma referência no sistema financeiro global.

Se admnistração Obama resolver grandes dinâmicas globais, como são os casos da estabilização das relações dos EUA com o Irão, Venezuela, Iraque, vai certamente contribuir para baixar e equilibrar o preço do petróleo, e aumentar a esperança para os países menos desenvolvidos, em suma de forma indirecta vai criar um mundo mais pacífico e de forma indirecta vai ajudar e muito África pois havera menos fluxo de capitais para efeitos militaristas aumentando as oportunidades de apoio ao desenvolvimento e de promoção de novos investimentos.

Estou convicto que o sucesso da Admnistração Obama depende dos Americanos e para isso é importante reconhecer que há pessoas que tem um grande papel para possível boa governação de Obama falo por exemplo de Hillary, Bill Clinton, Al-Gore, Edwards, Rice, Powell e muitos outros influentes, que sem precisar de estar na Administração Obama, terão que ir dando o seu suporte quer ao povo, quer ao Presidente, pois pretende ser operada uma mudança para a qual os Americanos não estão nem habituados e nem preparados.

De uma coisa deve ficar claro, Obama tem tudo para ser o próximo Presidente dos EUA e relançar a imagem dos EUA pelo mundo, apesar de também ser muito claro que o realismo d’Obama próprio dos grandes líderes Americanos poderá o fazer mudar radicalmente surpreendendo a muitos, menos a aqueles que sabem que as Relações Internacionais são dinâmicas, e que existem muitas sinuosidades nas relações e nos interesses norte-americanos pelo mundo fora, mas estaremos aqui para testemunhar the CHANGE in United States.