sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A nódoa da CNE suja a vitória da FRELIMO

“Esses gajos da CNE estão a meter água. Hum Noa, esses gajos da CNE não meteriam água se ninguém os desse água para meter”

Que algo vai muito mal neste país até os miúdos sabem e existem vários exemplos disso e o mais flagrante foi com actuação da Comissão Nacional de Eleições, ao ter usado todos os argumentos existentes e inexistentes para colocar de fora alguns partidos a corrida eleitoral, e pior, ao ter se mostrado pouco comunicativo e arrogante na forma como se foi relacionando com os demais actores do processo eleitoral.

Este texto que vos proponho a lêr pretende partir da situação concreta da CNE para perceber um fenómeno generalizado, que é o da desrosponsabilização institucional e pessoal dos actores públicos, justificando-se através da FRELIMO ou ao Presidente da República. A mim me intriga bastante esta percepção, constantemente levantada em alguns circulos académicos e políticos do uso da chancela FRELIMISTA para se justificar erros pessoais, ainda que tenham em vista procurar beneficiar objectivos FRELIMISTAS.

Pode parecer paradoxal a tese que acima levanto, mas no caso em particular é preciso compreender que tanto académicos, políticos, a até jornalistas bastante críticos actuação de vários quadrantes da FRELIMO como é o caso de Machado da Graça, pouco vaticinavam a derrota da Frelimo e do seu candidato, pelas obras feitas e realizadas, pelo seu contacto permanente com a base e sobretudo com o seu grande tema de conquista no meio rural que são os 7 bilhões.

Apesar de concordar que a geração de verdadeiros estrategas da FRELIMO, que foram exponencialmente representados por Aquino de Bragança, Honwana, e mais tarde sucedidos por Tomás Salomão entre outros vai se esfumando, ainda assim, não há grandes argumentos que me levem a pensar que Edson Macuacua e seus pares possam em detrimento de uma vitória folgada e esmagadora possam ter partido por atrair uma massiva abstenção no próximo pleito eleitoral.

Estou bastante convencido que ainda que João Leopoldo da Costa e seus correligionários quiseram beneficiar a Frelimo seguramente que foi sobre vontade e juízo próprios, e penso que é nesta base que vários dignatários de cargos públicos e de Estado tem erróneamente agido, sob sua própria custódia, perseguindo objectivos pessoais que ninguém os conhece e mais tarde deixa-se transparecer uma idéia de que existe um “sistema” bem montado que controla tudo e todos, que é extremamente astuta no xadrez, que tritura a quem aparecer no caminho, enquanto na verdade essas pessoas estão a manchar a verdadeira obra da FRELIMO.

É por essa razão que o "grande ideologo" Jorge Rebelo não aceita que a FRELIMO seja a mesma dos tempos remotos, porque nesses tempos atitudes oportunisticas deste género, que visivelmete não respondem a um comando superior, e pior que prejudicam a uma estrutura que vai carborandoa 100% mereciam sanções sem iguais, é o que eu espero que se faça com esta liderança da CNE e todos os outros titulares de cargos públicos que em seu nome pessoal vão criando condições para não separar o Estado do partido.

Me recorda um Director Provincial de uma instituição do Estado que tirou do herário público valores para pagar bónes e camisetes do partido, esse tipo de pessoas deviam ser muito bem vistos para sererm despromovidos em vez de promovidos, pois esse tipo de actuação deve ser condenada e sancionada porque em nada beneficiam o partido, e mais do que isso não ajudam a consolidar o Estado de Direito e a promoção do Desenvolvimento Nacional e qualquer actuação contra essas atitudes só levantariam a legitimidade da Frelimo no que toca ao combate a corrupção, na promoção da transparência, etc, mas é seguramente um desafio para qualquer que fôr o próximo governo.

A minha tese de que actuação da CNE pura e simplesmente vem para sujar a vitória da Frelimo e para atrair abstenção nas próximas eleições, não se justifica apenas por ter acompanhado a RENAMO a se desfazer das suas grandes pedras académicas, ou do seu líder a chamar os seus mais colaboradores directos de “miúdos”, nem pelo facto de achar que o partido MDM que acho que tem futuro, ainda vai por algum tempo disputar as suas bases eleitorais com a RENAMO. A minha tese não é alicerçada pelo facto de não ter visto alternativas as políticas esboçadas pela Frelimo, por parte do PDD de Raul Domingos e muito menos dos outros partidos que nem sequer conheço, ou pelo facto de ter visto Ya kub Sibyndi e a sua oposição construtiva a doarem dinheiro para realização dos congressos da Frelimo no âmbito do estágio que iam realizando nesta formação política.

A minha tese meus caros, é avançada porque ví e acompanhei as Presidências abertas e inclusivas, escreví sobre o trabalho da Primeira Dama da República de Moçambique, conheço os efeitos dos 7 biliões nos distritos, assisti as reuniões de preparação das eleições no seio da Frelimo e posterioremente a reunião de preparação das eleições acções que catapultaram a um engajamento de massas a nível nacional nas mais diversas esferas sociais, que seguramente só poderiam trazer um efeito positivo nas eleições que se avizinham.

Sabem estamos num país onde ainda é difícil fazer leituras políticas, ainda que próximas da realidade empírica, sem sofrer adjectivações, mas não posso deixar de lembrar que até o mais promissor “futurologista” da blogosfera nunca tinha avançado qualquer hipótese de derrota para o partido Frelimo e seu candidato, por essa razão, deito completamente por terra toda e qualquer hipótese que possa nos levar a considerar que a CNE agiu a mando da Frelimo ou de Guebuza, não, a CNE agiu por motivações pessoais, e se quisermos ser um pouco mais brandos agiu para acompanhar os rumores de evolução com que foram laureados os novos juízes do Conselho Constitucional.

23 comentários:

  1. Ya, ya, Noa. Tú também deves saber em que águas navegas, hehe.
    Abraços pela coragem e perspicácia.

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  2. A CNE pode nao ter sido "coagida", mas pode estar a fazer um servicinho em agradecimento ao estatuto de ministro que o governo do dia decidiu dar justo no anos das eleicoes. mas 'e pura conspiracao minha caro Noa. Tenha um bom final de semana

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  3. EGIDIO

    Prefiro parafrasear acho que e a BBC "No Comments" e ate ja.

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  4. Caro Nelson,

    Vejo que de forma clara e inequivoca levantas um outro questionamento que nao acabei por levantar "troca de favores". Ainda se quisermos coroborar ou dar azo a sua tese conspiratoria, cairiamos sempre na conclusao de que actuacao da CNE cabe unica e exclusivamente a ela propria, desta feita na tentativa de agradecer por algo. Na verdade na tentativa de agradecer acabou por insultar, estragar, e desestabilizar a Frelimo.

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  5. Caro Noa,
    Parabens pela bonita exclamacao. 1. E verdade que ninguem duvida da vitoria da Guebuza. E ninguem tb duvida da vitoria da Frelimo. Mas preste atencao num aspecto: a entrada de MDC no cenario politico mocambicano e a eliminacao da barreira dos 5% da espaco para que outras forcas politicas entrem no parlamento. Embora a Frelimo ganhasse, isto e, mais assentos que qq outro partido, a possibilidade de se aliar a um outro partido para ter maioria simples e fazer passar as leis, nao e do agrado da mesma frelimo!

    2. E verdade que o MDC vai disputar o eleitorado com a RENAMO. mas o que dizer do chamado ate aki "eleitorado incapturavel" composto maioritariamente por jovens urbanos e que n tem votado nos anteriores processos eleitorais?

    um abraco Noa e bom fim de semana

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  6. Caro Kodwane

    Quero acreditar que ao te referires ao MDC falas do MDM, entre outros aspectos que nao pretendo pronunciarme directamente, apenas, porque apesar de saber que os meus textos apresentam aspectos para outro tipo de interpretacoes e interpelacoes, gosto que comentem o centro da analise do que escrevo, de quem depende a decisao tomada pela CNE? Da Frelimo ou da cabeca de Joao Leopolodo da Costa?

    Um abraco e retribuo o desejo de bom fim de semana por acaso estou a ver os ultimos emails antes de sair pela noite.

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  7. Caro Noa

    A decisão de Leopoldo da Costa não passa das milhares das ofertas envenenadas à Frelimo. É só fazer uma observacão profunda sobre o que se passa um pouco por todo o país, o que fazem alguns governadores, administradores, ministros, membros da PRM, presidentes das mesas de voto, directores das escolas, directores provinciais, etc, etc e até líderes de partidos da oposicão já fazem ofertas envenenadas à Frelimo.
    A Frelimo peca por nunca se distanciar deste tipo de ofertas, antes pelo contrário.

    Mas para não me desconfiare(s)m, aconselho a repeticão da leitura da série dos artigos de Elísio Macamo com o título " Poder da Frelimo" no Ideias para debate de Machado da Graca, aqui: http://ideiasdebate.blogspot.com/search?q=O+poder+da+Frelimo.

    Aquele abraco

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  8. Reflectindo meu Caro


    E com algum prazer que recebo o seu primeiro comentario nesta casa, se a memoria nao me atraicoa. Voltando aos factos, penso que antes mesmo de fazer uma leitura aos textos que nos propoes, e preciso concordar com a profundidade coma qual densificas o problema que levanto, como disse no texto constitui um serio e enorme desafio para o proximo Governo, segundo a minha nossa analise da FRELIMO resgatar os codigos de conduta e operacionaliza-los efectivamente porque sem duvida a ser assim a Frelimo sai a ganhar e o pais consequentemente.

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  9. Noa, desculpe-me mas vou ser "curto e grosso": VOCE É UM GRANDE PUXA-SACO da Frelimo...

    Desculpe-me caro Noa, mas voce faz parte dos 47% de mocambicanos que nao sao "analfabetos" e com muita sorte deves vir de uma aldeia (mesmo que seja Xicualacuala ou Chamanculo), onde és uma excepcao por ter conseguido terminar os "estudos superiores" que faz com que sejas parte de uma populacao inferior a 15% no país. Lamentavelmente continuas "ignorante", "acobardado", "vendido por 50 moedas de prata" e usas tuas habilidades linguísticas para mascarar uma verdade que se vé...
    Noa, acorda faz algo para teu país, usa teu conhecimento e tuas habilidades para construir um país melhor para teus filhos e netos, oh cara!!! Que te adianta venderes-te para tornar-te "rico num país de miseráveis"??? Usar o discurso de Guebuza sobre "patriotismo" enquanto implementam uma "cleptocracia institucionalizada" onde os quadros séniores da Bureau Político da Frelimo afirmam de boca cheia que os "antigos combatentes" podem "enriquecer ilicitamente porque foram os libertadores da pátria", ou seja, nós os mocambicanos mudamos de colonizador apenas.

    E o discuros de auto-estima tao propalado, qual é o meu orgulho de ser mocambicano, um povo miserável (70% de pobres absolutos, 53% de analfabetos, 20% de seroposetivos, 700 novos contágios diários, morrendo de malária, cólera, fome, má-nutricao), a excepcao dos membros da nomenklatura que como Chipande creem que o "país é deles"???

    Vamos colocar as coisas bem claras: para mim nao interessa a pessoa ou grupo de pessoas que está a frente dos destinos do país, nao me importam cores partidárias, mas sim ideais e principalmente ideias genuínos, como aquele que teve Samora Machel ao tentar "combater o analfabetismo", algo que sim, iria projectar o país a um outro patamar, nao que se ve agora. Os ideólogos de que falas, ao apercerber-se que isso mudaria os planos de subjugacao do povo, eliminaram o Presidente, porque um povo culto, educado teria melhores opcoes ao elegir seus responsáveis... minha esperanca é que um dia, a história cobrará a verdade

    Chikholah Nakhapa

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  10. Querido Chikholah Nakhapa

    Quando criei este espaco estive sempre convicto de que as minhas analises nunca iriam ser felizes ou do agrado de todos os leitores, e por manifestares o seu posicionamento ainda que no anonimato pseudonimatico te agradeco, pois so valorizas a diversidade de opniao.

    Ainda assim, queria manifestar o meu desapontamento pela forma como reiteradamente nao comentas os textos e partes a um ataque pessoal ora tenho algumas questoes que agradecias que me respondesses?

    1. Qual e o argumento central do texto que escrevi? Ou melhor, qual e o problema que levanto?

    2. Se tivesses que dar um titulo ao teu comentario em relacao ao texto que escrevi, qual seria? O NOA PUXA SACO?

    3.Por mais facil que seja compreender esse facto,ainda assim me interessa saber, porque te escondes por de traz de um pseudonimo?

    4. O que e que nao e ser um PUXA SACO na sua opniao?

    Caro Chikholah Nakhapa

    Respondidas estas perguntas, certamente que ai sim voltaremos a falar coerentemente dos mesmos assuntos

    Abraco

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  11. Caro Noa,

    De antemao saudar-te e responder as tuas questoes, louvando a tua predisposicao ao diálogo construtivo e por respeitar opinioes diferentes: sigamos assim, que só assim construiremos um Mocambique melhor! Juntos todos, sem exclusoes nem preferencias.

    1. O argumento central do texto gira em torno do seu título: A nódoa da CNE suja a vitória da Frelimo, onde o autor afirma que atitudes de pessoas singulares como o Dr. Joao Leopoldo da Costa, alguns ministros e Directores Nacionais e outros dirigentes da Aparelho do Estado, ao tentarem "beneficiar" a Frelimo tomam decisoes unilaterais (creend que assim dao vantagem a Frelimo) e que quando vem a tona sao uma nódoa (in)delével para a vitória preparada e inegável da Frelimo. Este tipo de atitudes, segundo o ponto de vista do autor deve ser repreendida de maneira exemplar para que nao volte a ocorrer. Esse é um pensamento progressista, mas lamentavelmente nao é comungado pelo néctar da Frelimo que como sabemos, nao repreendem pessoas como Chipande que afirmam de boca cheia que libertaram o povo do colonialismo e por isso devem enriquecer... paradoxal e sem lógica.

    2. O título poderia ser por exemplo: NOA, mais um académico corrompido ideologicamente e transformado num "zombie" da Frelimo. Um pouco duro, mas essa é a ideia: para grandes males, grandes remédios!

    3. Quem te garante que Chikholah Nakhapa é um pseudónimo? Por acaso nao consta nos registos de cidadaos elegíveis para votar a Frelimo e seu candidato? Se conhecessem "as bases" como afirmas que conheces terias dúvidas ao afirmar que é um pseudónimo por ter ideia da sua proveniencia e já agora te lembro que Mocambique nao é apenas Maputo e cidadaos pacatos como nós que vivemos aquí onde o "diabo fez a curva" e que voces só nos visitam de 5 em 5 anos em campanha eleitoral também temos o poder de optar.

    4. Ser puxa-saco ou lambe-botas, é algo que grande parte da sociedade mocambicana, ainda que analfabeta já conhece, muito gracas ao trabalho de tipos como MCRoger, Edson Macuacua e outros (como Noa que com pequena audiencia mas com influencia). Definicao clara nao tenho mas deve ser uma prática de apregoar com toda energia algo que o proprio pregador honestamente nao acredita (por ter alguma evidencia), mas o faz para lograr um objectivo pessoal, mesmo que para tal tenha que prejudicar uma maioria. O lambe-botas nao pensa por sí, repete o pensamento daquele que ele acha que lhe fará lograr seu objectivo, algo que na Frelimo, é uma prática constante! Veja, quando liderados por Samora Machel, todos apoiavam os ideiais do líder revolucionário até que passou desta para melhor e sob comando de Chissano nao foi diferente, algo que tomou proporcoes catastróficas na lideranca de Guebuza porque o bando de puxa-sacos finalmente encontrou alguém que "gosta de ser puxado o saco". Uma combinacao bastante perigosa que fez com que grande parte dos membros da Frelimo se transformassem em "zombies" que só repetem os discursos do líder, mesmo sabendo que nada tem a ver com a realidade no país, como foi o teu artigo das "epopeias revolucionárias de Armando...", onde falas da revolucao verde com 10 tractores emprestados da Líbia, num país onde 250 deputados ocioso tem um Ford Ranger; combate a criminalidade num país onde existem pessoas como Anibalizinho que ofendem da maneira mais cruel ao Estado: 7 bilhoes para distritos onde cerca de 90% da populacao é analfabeta, etc...

    Te garanto que quando sair o Guebuza e entrar outro, a história se repetirá, o puxa-saquismo tem raízes em governos cleptocratas e nepotistas como o que voce defende, sem ofensa!

    Mais direi, mas na devida altura

    Chikholah Nakhapa

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  12. E um prazer discutir consigo Chikholah Nakhapa sobretudo quando esfrias a cabeca.

    Terei alguma dificuldade em comentar o seu comentário seguindo as peugadas do mesmo, ou seja seguindo ponto por ponto.

    Ainda assim caro Chikholah Nakhapa, permita-me dizer que a minha dúvida com relação ao nome não quer dizer que estava a espera que te chamasses Noa Inácio, mash á-de convir que esse não é um nome comum na nossa sociedade multicultural, pois também sou originário de um lugar como esse que tentas dar enteder que vens, mas se assim for o seu nome os meus parabéns, porque irrita-me discutir com invisíveis, pois em nada constroem o nosso sentido democrático.

    A sua resposta a minha primeira pergunta deixou-me com um misto de tristeza e satisfação. Satisfação por ter notado que afinal de contas consegues lêr um artigo e saber do que se trata, e uma grande frustação que me encheu de tristeza porque apesar de ter notado que sabes do que o texto se trata, prefiriste falar de badjias, bolos, entre outros assuntos que nem sequer abordei.
    Sabe Chikholah Nakhapa,
    Quem lê o seu comentário e não lê o texto ficará com uma imagem completamente errada do que se escreveu repara que no seu último paragrafo dizes e passo a citar “no teu artigo das "epopeias revolucionárias de Armando...", onde falas da revolucao verde com 10 tractores emprestados da Líbia” em momento algum falo deste assunto no meu texto, ou melhor para o seu entendimento nesse texto falo apenas dos ideias políticos de Armando Guebuza e não da forma como ele materializou o seu desiderato.

    Quero a tua coerência oh Chikholah Nakhapa

    Por isso, meu caro seria sempre uma honra se os argumentos aos textos que escrevo me atribuissem conclusivamente o rótulo de zombie ou de lambe-botas e não as tuas leituras sociais ou da realidade moçambicana pois parece mais um juízo de valor pessoal e não uma conclusão do meu texto porque nunca comentaste um texto meu, apenas falas de mim, ou manifestas o teu posicionamento sobre a minha pessoa.

    A terminar queria reiterar uma pergunta que foi respondida por ti, mas notei que não foi bem entendida concordo que a falta de acentuação contribuiu para o ruído, pelo que, passo a repetir.

    O que não é ser Lambe Botas na sua opnião?

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  13. Senhor Inácio Noa,
    Li o teu texto, e os comentários subsequentes.
    Não concordo com algumas das coisas k dizes, mas gostaria de te felicitar por um aspecto: és (ou transparece ser) uma pessoa muito bem educada! É que pela forma como o Chikholah Nakhapa te responde, te agride, te ofende, enfim ... Julguei que em algum momento pudesses lhe dar uma resposta nos mesmos moldes. Mas não! Estás sempre com um tom agradável e próprio de pessoas maduras e com espírito de intelectual. Parabéns por isto. Continue assim pois é disso que o nosso país precisa.
    Um abraço de admiração

    PS: Gostaria de me dirigir ao senhor Chikholah Nakhapa e roga-lo para que interaja com o seu compatriota Inácio Noa de forma menos agressiva. Pode ser? É que a divergência entre voces é apenas de (algumas) ideias; de resto somos todos mocambicanos.
    Um abraço a todos

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  14. Já voltamos do fim-de-semana largo e agora temos que preparar-nos para uma nova semana de trabalho! Mocambique precisa de maos trabalhadoras, nao apenas debates de ideias...

    Voltando ao que discutimos anteriormente, oh Noa estas evadindo-te de igual maneira que o Anibalizinho: óbvia e claramente, mas farei o papel dos guardas das prisoes que o viram escapulindo-se e nao fizeram nada.

    O estranho é que de todos assuntos de que fiz referencia acima, como a alta taxa de analfabetismo, as assimetrias de desenvolvimento entre a cidade e o campo em Mocambique, as doencas que matam a diario a compatriotas como o caso de malária, cólera e outras que sao perfeitamente curáveis, as políticas governamentais que nao funcionam, etc... voce apenas captou o puxa-saquismo e lambe-botismo na mensagem!!! Para responder-te afirmar que puxa-saco ou lambe-botas é alguém como Fernando Mazanga, Edson Macuacua, MC Roger, etc... se te serve a carapuca, serve!

    Quando inicialmente escreví te pedí desculpas e disse que seria "curto e grosso" e tentei ser contundente na mensagem. Novamente te pedir desculpas se te ofendí de alguma maneira e confirmar o que diz Teo Mambo, que podemos ter divergencia de opinioes, mas no fim somos todos mocambicanos... isso é verdade.

    Te pedir também que iniciemos um debate no teu blog com o tema seguinte: NÓS AFRICANOS SOMOS MUITO ESTÚPIDOS e que os leitores comentem em torno disso. Eu comeco por dar as minhas razoes para pensar assim!

    1. COLONIZACAO: igual que alguns países asiáticos, latino-americanos e outros, a colonizacao ocidental chegou a África, mas foi cá em Africa onde durou mais e se viveram "horrores" como foi por exemplo a escravatura onde o africano entregava seu irmao africano para ser escravo: é preciso ser muito estúpido.

    2. INDEPENDENCIAS e PAN-AFRICANISMO: para além de surgir muito tarde porque muitos países colonizados em outros continentes tiveram suas independencias há dois séculos, apenas nos anos 60 Africa comecou a libertar-se do colonialismo ocidental. Facto curioso é que muitos "líderes revolucionários africanos" sao os que hoje em dia subjugam seu proprio povo como aqueles casos onde o presidente tem uma fortuna maior que a dívida externa do seu país, ou casos de países onde o presidente aparece no Forbes Magazine como multimilionário, num país onde ainda há pessoas que morrem de fome! É preciso ser muito estúpido para achar que "ser rico num país de miseráveis" vale a pena.

    3. GUERRA FRIA E NEO-COLONIZACAO: muitos paises africanos foram o palco da guerra fria onde dois elefantes se enfrentavam indirectamente, causando destruicao nesses países! É preciso ser muito estúpido para aceitar levantar as maos contra seu próprio irmao porque alguém te disse que ele é mau, matar alguem porque é de etnia diferente...é preciso ser muito estúpido

    4. DESENVOLVIMENTO: apesar de que Africa concentra muitos recursos naturais, muitos países africanos ainda estao "era da pedra" no que se refere ao desenvolvimento e o fosso entre ricos e pobres é muito mais acentuado em muitos países africanos que como Mocambique, metade da populacao é analfabeta, mais de metade vive na "pobreza absoluta", por minuto 1 africano morre de malária cujo tratamento custa menos que 50 centavos de dólar americano, mas seus líderes sao os mais ricos. É impressionante como em Mocambique, trabalhadores da funcao pública conseguem acumular tanta riqueza, porque em nenhum país organizado o funcionário público pode viver luxuosamente. É preciso ser muito estúpido para acreditar que desviar fundos que seriam para construir uma estrada, escola, ponte ou hospital, etc... e levar para sí é a melhor decisao.

    Enfim, somos muito estúpidos

    Chikholah Nakhapa

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  15. Teo Mambo

    Bem vindo a esta casa. Senti com agrado as palavras que nos oferece e o apelo a concordia. Mas permita-me saber do seu posicionamento com relacao ao assunto que se discute aqui. Existe alguma "possibilidade" da actuacao da CNE ter sido encomendada? Porquem? Com que objectivos?

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  16. Mais uma vez Chikholah Nakhapa

    É surpreendente a sua forma de vêr e de manifestar ou melhor de exteriorizar os seus pontos de vista. Mais uma vez foges do assunto central que é chamado aqui a debater e vais buscar coisas que não estão próximas de qualquer imaginação possível.
    Sendo Africano não posso sequer imaginar que a estupidez de uma sociedade da qual fazes parte possa merecer aplausos e argumentos cientificos como os que tentas trazer. Meu Caro, é impressionante a forma como ficas a vontade e satisfeito em dizer que os Africanos são estupidos, infelizmente não posso pactuar com o seu ponto de vista e sequer comentar directamente o assunto que levantas.
    Prefiro colocar-te a questão que levantei ao Teo Mambo no comentario acima.
    Companheiro Chikholah Nakhapa. Qual é a sua expectative em relação a decisão do Conselho Constitucional, no caso das exclusões de partidos politicos? Terá a FRELIMO alguma relação com essa decisão?

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  17. Caro Noa,

    Nao fugindo ao contexto do teu artigo, responder-te e ao Mambo que concordando plenamente contigo, creio que a Frelimo como partido nao terá "encomendado" tal vergonha, mas como dizes sao pessoas singulares que o fazem para "ajudar" ou "dar vantagem". Hoje em dia se vive uma certa transparencia na democracia mocambicana e a Frelimo nao poderia prestar-se a um papel hediondo que faria desacreditar totalmente toda sua maquina.

    Por outro lado, temos que reconhecer que muita coisa está mal no nosso país e nao falo por filiacao partidária alguma porque para mim nao interessa se a pessoa é vermelha, amarela, verde ou azul, mas sim seus ideais e principalmente se a pessoa que conduz o destino de muitos seus compatriotas procura fazer o seu melhor para todos.

    Lembro-te que no comício da Beira, o Edson Macuacua falou de uma assistencia na ordem de 500.000 pessoas, numa cidade onde existem menos de 450.000 habitantes; a Frelimo afirmou que em uma semana cobriu quase 1.900.000 eleitores depois a Renamo falou algo igual como em uma semana 80% na cidade de Maputo, bla, bla e muito bla oco, sem sentido...

    A quem estamos tentando enganar? Aos 53% de analfabetos e os académicos que conhecendo a verdade, por benefício proprio nao fazem o melhor uso?

    Por isso comentei que "nós africanos somos muito estúpidos", nao porque tenho orgulho de ser "africano estúpido", mas pelo contrário, me dá muita vergonha que em muitas sociedades africanas prima a discórdia fomentada por terceiras pessoas (que tem interesses económicos por detrás das guerras) como o que aconteceu na guerra fria em vários países africanos, quando alguém diz a um hutu que deve matar a um tutsi porque ele é diferente, ou quando por eu ser sena, macua, changane ou makonde tenho perspectiva de vida diferente, dependendo da minha raiz étnica, quando na Africa do Sul um irmao poe fogo no outro irmao porque "lhe está a roubar o emprego", etc... isso só ocorre gracas a nossa estupidez!!!

    Quando como fiscal na construcao de uma estrada, ponte, hospital ou escola, permito que a obra seja de péssima qualidade para que tenha um dinheiro "por fora" para mim e depois quando passo pela mesma estrada, reclamo que a estrada está mal construida, é porque sou muito, mas muito estúpido mesmo.

    Enfim, espero que académicos como voce e outros que se livraram do analfabetismo e da pobreza absoluta que assola mais de metade da populacao mocambicana comecem a "mudar as mentalidades de nossos irmaos, porque no estado que estamos agora, nao dá! Jamais se vai eliminar a pobreza absoluta sem bases que sustentem isso.

    Tens direito de seleccionar as opinioes que saem em teu blog, mas desculpa-me, nao poderei ficar calado

    Chikholah Nakhapa

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  18. Chikholah Nakhapa


    Estive em Inhambane a passar o final de semana, ví a FRELIMO a fazer campanha, vi membros, simpatizantes, organizados a desfilarem com bandeiras, vi espetáculos que foram organizados pelos jovens locais, testemunhei a sua organização a todos níveis, o que eu vi foi um acto de organização e de preparo político que seguramente levaria a qualquer partido a vitoria eleitoral. Acompanhei o Bayano a falar dos números, vi o seu comentário e de outros, mas ainda que os números possam estar a ser alvo de estratégias políticas, fique seguro que a Frelimo tem estado a arrastar massas, digo isso, alicerçado com a realidade que testemunhei como acima fiz saber.

    Tenho estado a ler o manifesto da FRELIMO e o compromisso de Armando Emílio Guebuza, de forma básica posso dizer que eles reflectem que o país ainda tem enormes desafios em várias frentes, que existe nesses instrumentos de governação, repito li ainda basicamente, mas transparecem-me que os ideiais estão todos lá, mas seguramente a grande questão será sempre a forma como esse desiderato será alcançado e sem duvida que haverá aspectos por questionar.


    A minha preocupação de momento não e moderar os seus duros argumentos, mas sim buscar um espaço para discutir factos reais e não centralizar os assuntos nos nossos juízos de valor.

    Abraco

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  19. Eish,
    Caro Noa,
    primeiro gostaria de felicita-lo pelo artigo, que de forma abnegada fui (per)correndo-o de palavra por palavra. Enfim, vou ser breve. Concordo com o que muitos devem ter dito em forma de comentarios (eg. Teo Mambo), mas tambem tenho de afirmar que tive um senao ao ler algumas das tuas reaccoes a alguns comentarios (eg, Chikholah Nakhapa). Pessoalmente nao me encontro a viver 'in loco' a situacao politica actual da Patria Amada, mas quero acreditar que seja ela de que estadio for, tenho de coroborrar com o Chikholah Nakhapa sobre a forma como tens tratado o texto, desde o titulo. Ora Noa, quero acreditar que ja deves ter notado que embora Mocamboque (e tantos outros nesta aldeia global e glocal), seja uma comunidade multicultural, os nomes ha ja seculos que deixaram de significar algo na identidade (seja individual quanto social) do individuo, pelo que pessoalmente recomendaria a nao enveredares por tal suposicao proximamente. Ainda, como academico que te afirmas e outros bloguers afirmam, nao seria licito que partisses de um vento que bate do este e pumba, este vento tera consequencias no oeste. NAO.
    Da forma que tratas o texto (sorry se porventura nao terei tomado o ponto fulcral), me parece que de antemao apregoas a famosa teoria da conspiracao (aquilo que parece nao e'...), e assim dizes que a CNE nao tem autonomia alguma para tomar alguma decisao.
    Nao Noa, nao concordo com essa suposicao. Se puderes me dar algum exemplo alem de Mocambique de que te possas baseiar, agradecia imenso (mas desde ja lhe dou uma dica: nao perca teu tempo em pensar nos famosos "donos do mundo", os EUA, que disso ja provaram ser piores que Moz).
    Como academico que te apregoas, seria licito se dissesses que autonomia teria a CNE, e como ela nao esta gozando dela. senao vejamos: se um filho chora em casa, entao os pais deram "tau tau" nele. Que coisa seria essa? Erro grave, pois o flho pode tambem chorar porque tanto gosta dos pais (...)
    Se a lei existe e ela deve ser cumprida, entao que seja (ai, se a CNE foi arrogante, que se lix*). Mas nao podemos mais continuar a pensar que as coisas devem andar a debandanda, que estamos no Pais da marrabenta, que tudo aconteca para agradar aos gregos e troianos (impossivel, por isso temos os da direita, da esquerda, mas tudo isso, quanto a mim, sao variacoes da tonica musical: lambe botas...).
    PS: academico, veja que os mesmos que hoje usam nos seus lindos textos citacoes sobre Samora Machel com o exemplo disto e daquilo, sao/foram os mesmos que pegaram em armas e combateram-no. Agora ele passou para a historia, e la vamos nos... Pais da marrabenta, onde o povo quer estar no poder...

    Abracos.
    Sergio HUO

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  20. Huo

    PS: Estou com saudades de Nampula, mas juro-te que virei brevemente.

    Olha Huo, este comentário meu será mais paradoxal ainda que o proprio texto, porque ele é feito depois do Conselho Constitucional ter tomado uma decisão sábia, de procurar salvaguardar a integralidade das instituições do Estado, decisão contrária tornaria o processo um caos, e teria repercussões ainda mais negativas.

    Huo,

    A tese central do meu texto é de uma dimensão de Estado não se limita no exercício de entendimento estritamente legal do processo, porque não há dúvidas que a própria CNE cometeu erros de lei, mas mais do que cometer erros Huo, a forma como tomou a questão de exclusão, não levou os partidos a sentirem-se parte dos seus erros que sao publicamente reconhecidos, aspecto este que e bastante importante para o equilibrio e estabilidade do Estado que e um factor crucial de um processo quanto este em que se luta pelo poder.

    Companheiro,

    Como disse eu vejo a Frelimo agigantar-se do Rovuma ao Maputo, vejo isso desde as últimas eleições autárquicas pois está escrito e podes lêr neste blog um texto meu de 8 de Dezembro de 2008 pois as leituras a dinamica politica assim ja o indicava, e seguramente tenho a percepção de que o problema nao seja da legalidade da decisão de um todo, mas sim da forma como a decisão é tomada, que apenas tem o condão de beliscar a vitória da Frelimo e de Armando Emilio Guebuza, que há muito vem se organizado para ter uma vitória retumbante.

    Huo.

    A frase que passo a citar é de sua autoria no comentário “Se a lei existe e ela deve ser cumprida, entao que seja (ai, se a CNE foi arrogante, que se lix*). Mas nao podemos mais continuar a pensar que as coisas devem andar a debandanda, que estamos no Pais da marrabenta, que tudo aconteca para agradar aos gregos e troianos”.

    Trago esse trecho seu, porque a minha leitura deixou-me com a impressão de que este era o argumento pivotal da sua locução, e por esse facto, interessa-me deixar sublinhado que não sou apologista da ilegalidade e nem mesmo da debandada, sim queria que a CNE tomasse a decisão que tomou com recurso estrito na lei, mas de forma que todos os intervenientes no processo eleitoral não tivessem dúvidas de que era a lei que estava sendo apregoada e nesse aspecto a CNE não foi integralmente comunicativa o suficiente como reza a lei eleitoral.

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  21. I quit...
    Never mind!!!

    Chikholah Nakhapa

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  22. Caro Noa,
    Gostaria de enderecar minha apreciacao pela forma como tens tentado interagir com os leitores do teu blog (de 0-10, nota 9 - nao e' por mal, ainda dava 10).
    Ora, apenas dois pontos:
    > Conforme tens notado na tua reaccao, o CC tambem enveredou pelo mesmo diapazao que o da CNE, mandou passear definitivamente os partidos excluidos (enfim, as interpretacoes vao claro ser do tipo a lei continua a ser cumprida, ou entao a CC tomou decisao a maneira familia e' familia).
    Acredito que tas acompanhando a par e passo, por isso deves saber da reaccao dos partidos politicos: querem que a comunidade internacional intervenha, crie governo de unidade nacional (moda Kenya, Zimbabwe...), e ainda mais, vao responsabilizar o governo por actos de violencia que venhan a ocorrer por sua exclusao (cara***).
    > Mano, eu tambem estou com tamanha saudade de Nampula, ha ja mais de 1 ano que ando perdido no chamado velho continente (ja que o nosso dizem ser berco da humanidade), la para as terras que acomodam o T. Penal Internacional. Coisa para la, nao estou fazendo nada ligado a 'penal'. Sempre achei a leitura algo interessante, e, e acabei parando nestas bandas.
    Abracos!

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  23. Sergio Huo,

    Estou com ciumes queria estar em Haia tambem ou num lugar igual. Bem voltarei a NAMPULA tenho outros interesses que os equiparo em estar em Haia ou noutro local.

    Mas ja que o Chikola Nakhapa retirou-se, e o seu comentario tambem nao oferece mais debate, pois fica-se com a sensacao que ja vimos os varios angulos do problema, entao resta-me apenas dizer-te que sim tenho acompanhado a par e passo o processo eleitoral, que como escrevi acima congratulei-me com a decisao do CC e te espero amanha porque vou lancar uma nova Odisseia.

    Abracos amigos ate amanha para um novo tema.

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