segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A VITORIA ESMAGADORA E CONVINCENTE DO PARTIDO FRELIMO NAS ELEÇÕES AUTÁRQUICAS DE 19 DE NOVEMBRO

DESAFIOS PARA O PARTIDO FRELIMO

Foi na semana finda feito anuncio formal dos resultados das últimas eleições autárquicas, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) em que a Frelimo e seus candidatos foram vencedoras em 41 vilas municipais, tendo perdido na Beira para a presidência do Município e vai a uma segunda volta no município de Nacala.

Não há e nem pode haver dúvidas de que o partido Frelimo, foi um justo vencedor, um vencedor a escala nacional, e que devemos a partir de já trabalhar no sentido de contribuir para que este partido governe por forma a criar desenvolvimento e melhoria substancial das condições de vida dos munícipes. Alguns com alguma razão, dirão que alguns candidatos vencedores são em termos de CV ou de capacidade inferiores a “marca” Frelimo, ou melhor terá sido a marca Frelimo que os conduziu a vitória e não a expectativa em termos de ideias desses candidatos. Com relação a esse aspecto, é preciso dizer de forma clara que agora, já não são candidatos são Presidentes eleitos dos municípios em que cada um de nós vive, pelo que, devemos conjuntamente trabalhar por forma a termos municípios a altura das nossas expectativas.

A razão principal deste texto é que a Frelimo ganhou. A Frelimo ganhou de forma esmagadora e a escala nacional. É bom que se diga, que foi uma vitória fruto do trabalho, pois vimos as bases da Frelimo a escala nacional escolherem os seus candidatos, vimos a Frelimo a fazer campanha em todos os municípios, vimos altos membros do partido serem destacados para trabalharem em todos os municípios, e o resultado não poderia ser outro.

Contrariamente a aqueles que pensam que a Frelimo pode voltar a uma situação “de partido ditarial” porque vai governar sozinho, ou sem oposição, eu penso que sim a Frelimo tem Desafios na sua governação, mas também é verdade que a Frelimo tem sempre governado sozinho, porque não me recordo se já tivemos alguma oposição real ou no verdadeiro sentido político da palavra, salvo em alguns momentos intermitentes, pelo que, a Frelimo está habituada a governar sozinha, contudo temos é, que contribuir por forma que essa governação não seja em prejuízo dos munícipes.

Os Desafios da Frelimo, este era na verdade a essência deste texto, ou melhor de um texto que ainda não tive “maturidade” o suficiente para terminá-lo, porque é um assunto sensível e complexo ao mesmo tempo, mas vou de forma “law profile” dar os segmentos do que chamo de Desafios ao partido Frelimo.

Primeiro para dar segmento a esta abordagem é importante reconhecer que o estilo e os ditames da governação do Presidente da República centrando o discurso no distrito como pólo de desenvolvimento, auscultando as comunidades locais e precisamente colocando fundos para apoio as iniciativas locais, constituem a meu ver o principal enfoque para esta vitória retumbante.

Vem daí que constituí, ou deverá constituir prioridade para os novos Presidentes ter uma governação inclusiva e partcipativa, fazendo com que as propostas sejam homologadas na Assembleia Municipal, mas que elas tenham surgido das auscultações aos munícipes, que os planos a ser implementados ao longo dos 5 anos do mandato, sejam objecto de avaliação pública após um determinado período (por exemplo dois anos), que as estruturas municipais consigam deixar claro aos empresários, sobretudo aqueles que apoiaram as suas campanhas eleitorais, que estão agradecidos pelo apoio, mas os muncipíos não serão suas lojas, ou apartamentos, a lei terá que ser cumprida de forma igual para todos.

Bem, afinal o que é que nos propomos a enunciar como Desafios, não é nada mais nada menos que pedir ao partido Frelimo e seus candidatos que saibam conviver com a crítica, ela vai surgir, e deverá surgir, sobretudo quando for para fortificar e melhorar a gestão muncipal. Mas neste cenário de uma “esmagadora” vitória talvez não igual a que se espera que venha a registar com o Presidente Guebuza, que vai ganhar com uma margem aproximada aos 90%, espera-se que a Frelimo e os seus candidatos tenham uma alta capacidade de auto-crítica, um debate interno forte, sem ideologias ou linhas ou hierarquias políticas por forma a se encontrarem as melhores respostas para os problemas dos nossos municípios.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Jovens, vamos lá combater o HIV e SIDA!

Queria começar por me desculpar aos leitores assíduos deste caderno virtual, pois esperavam saber qual é o meu posicionamento com relação ao HIV e Sida. Bem, para não ser repetitivo e pouco cometido decidi fazer saber da minha contribuição, pelo que quero compartilhar convosco a Carta que escrevi a direcção máxima do Conselho Nacional de Combate ao SIDA na perspectiva de vos levar acreditar que queremos e podemos vencer o HIV e SIDA.

A responsabilidade no Combate é sob ponto de vista orgânico da responsabilidade das instituições coordenadoras, neste caso, o Conselho Nacional de Combate ao SIDA por isso os escreví, contudo, Amigo! Você pode fazer mais do que tem feito para reduzir o índice de HIV e SIDA em Moçambique, mas deve ser já.

Embora estejamos conscientes de que parte da solução do problema é da inteira responsabilidade do governo e da sociedade moçambicana pois segundo as palavras da Dra. Luísa Diogo “está em jogo a vida da Nação” (in Plano Estratégico Nacional 2005-2009) queremos deixar bem vincado que nós os jovens poderemos fazer muito mais do que temos feito, sobretudo quando se fala em mudança de atitude, ademais quando falamos de jovens com um assinalável grau académico, com algumas possibilidades económicas, como os leitores deste texto.

E como Jovem, uma das Respostas “criativa” própria de Jovem que podemos deixar aqui patente para além da indispensável mudança de comportamento e de atitude que deve ser liderada pelos indivíduos mobilizadores de massas, falamos de jornalistas, artistas, músicos, políticos, desportistas, actores, tendo um discurso e acções incentivando a fidelidade e a prevenção, isto é, incentivar com actos e acções que levem a que os nossos ídolos sigam os nossos exemplos, acredito que chegou a hora de nos nossos espectáculos, nos nossos programas de rádio e televisão, nos nossos jornais, nos nossos ambientes mais concorridos de lazer, criarmos “o minuto do Sida” uma espécie de um segundo de reflexão, onde se fala de indicadores, em que se responde a uma pergunta de cultura geral, um concurso qualquer sobre o assunto, pois de cal em cal, essa acção sem nenhum dispêndio económico, terá certamente o seu impacto positivo a curto médio e longo prazo.

Contudo penso que é consensual por parte dos jovens, por isso permitam reiterar que a vitória no combate ao HIV e SIDA só será certa quando nos for dada a oportunidade de participar de forma efectiva na concepção de políticas e estratégias para redução desta pandemia que está dizimar Moçambique, e foi com esse espírito que escrevi a direcção do CNCS a carta que vem em seguida:

Cordiais Saudações

“Não posso desistir, esta luta é nossa, esta guerra é dos jovens”

Em primeiro lugar queiram aceitar as minhas desculpas pelo facto de estar a apresentar-me por via do email, mas tem se mostrado extremamente difícil tentar abordar algumas ideias com V.Excia, certamente que por razões de agenda.

Meu nome é Noa Inácio, sou membro duma organização juvenil e actualmente, mas me mais confortável ao me caracterizar como um dos participantes na organização do I Encontro Nacional da Juventude sobre o SIDA.

Excia,

Sou daquelas pessoas, que quando participa em algo ou melhor quando acredito em alguma coisa tento e faço de tudo para levar avante mesmo que o habitual seja sermos desacreditados ou encontrarmos muitos constrangimentos pela frente. De recordar que uma das conclusões desse encontro é que a juventude deveria ser mais interventiva no processo de advocacia ou de modo geral ser a referencia no combate ao HIV e SIDA, razão pela qual foi proposto a criação de uma equipe de trabalho que haveria de liderar as acções futuras pós o I encontro e divulgar as conclusões do primeiro encontro.

Enquanto jovem, constitui uma derrota pessoal saber que até hoje nada foi feito e parece que nada será feito e sobretudo que corremos o risco de chegar ao II encontro e discutir as mesmas coisas e apresentar as mesmas conclusões. Mas porque todos os dias somos chamados a fazer e não esperar que alguém faça por nós, liderei uma equipe de jovens que desenharam um programa a que chamamos “Mapeamento Nacional” que consiste em estudar as causas e buscar as prováveis respostas para o crescente índice de contaminação pelo vírus em cada região, usando a teoria de “problemas locais e soluções locais” submetêmo-la apreciação do Conselho Nacional do Combate ao SIDA, e até hoje não fomos respondidos.

Excia,

“Não posso desistir, esta luta é nossa, esta guerra é dos jovens”

Tenho estado a registar ultimamente um crescente de actividades culturais e desportivas que “aglomeram” muitos e muitos jovens por causas nobres, desporto, dança, cultura, concursos ect, ect, e para o meu desagrado estes espaços não tem sido aproveitados para disseminação de uma mensagem sobre o HIV e SIDA os jovens aglomerados poderiam constituir um grande pólo de fazer passar a mensagem mas para o meu desagrado o CNCS não tem aproveitado estes espaços para acções de sensibilização e advocacia.

Muitas das vezes somos criticados por criticar e não sugerir, por isso estou em fase avançada na minha parceria com um jornal com objectivo de criar um espaço sobre o SIDA onde poder-se-á abordar não só sobre dados estatísticos, informações correntes, textos, mais também de algumas entrevistas sempre na perspectiva de aumentar o conhecimento e divulgar para vermos se invertemos a atitude dos jovens com relação a pandemia e são daquelas coisas que outros também podem fazer.

Excia,

Sou testemunha do cometimento que V.Excia tem por esta nobre causa “a luta contra esta grande pandemia” sou também testemunha do desapontamento pelo comportamento de risco que grande parte dos jovens tem levado a cabo, sobretudo nos espectáculos, praia, ect., ect, ainda assim acredito que o remédio é trabalhar, e trabalhar, trabalhar cada vez mais exactamente nos locais onde os jovens estão cada vez mais reunidos, trabalhar junto dos locais de lazer e diversão que aglomeram maior parte dos jovens, trabalhar com jovens com comportamentos de risco mas que ao mesmo tempo são mobilizadores de massas. Para isso estamos sempre, sempre, sempre ao vosso dispor.

Para terminar, queria mais uma vez pedir desculpas por usar o email para enviar algumas ideias. Uso este meio infelizmente porque a “burocracia” nem sempre permite-nos chegar até vós e ter discussões deste género, mas ficaria muito feliz se ficasse claro que este texto é uma demonstração clara de que nós os jovens queremos fazer e temos várias propostas para apoiarmos no combate ao HIV e SIDA, mas se não nos ouvirem se não nos convidarem dificilmente poderemos alterar alguma coisa.


“Não posso desistir, esta luta é nossa, esta guerra é dos jovens”

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A POSIÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DA BEIRA

QUE CENÁRIOS SE ESPERAM PARA DAVIZ SIMANGO NO MUNICÍPIO DA BEIRA

Permitam-me manifestar-me por esta via em consonância com as múltiplas intervenções que tenho estado a acompanhar quer pela Bogosfera, quer através de órgãos de comunicação em debates em que determinadas “personalidades” e em muitos casos por via de comentadores a discussão a respeito da vitória do Eng. Daviz Simango a presidência do município da Beira e muitas vezes são levantados cenários talvez não totalmente erróneos ou descabidos como diriam os mais radicais e que eu prefiro considerá-los pouco convincentes quando se analisa o cenário político no município da Beira.

A primeira leitura que deve ser feita é que o eleitorado da Beira me parece ser sui generis, uma leitura que os partidos políticos penso que estão a fazer ou já fizeram ou serao obrigados a fazer, sobre uma regiao caracterizada por um eleitorado que não só é firme nas suas convicções, mas sobretudo pelo facto de ter-se mostrado que os seus desejos estão para além de uma definição político partidária (de forças políticas) mas sim com base na continuação do projecto e obra do Eng. Daviz Simango no seu municipio.

É por essa razão que recebo com alguma dificuldade a maioria dos comentários que tem sido enunciados dando conta de que Daviz não terá condições de governar na Beira por não ter um suporte partidário na assembleia municipal e por essa via tanto a Frelimo que é o grupo maioritário como a Renamo a primeira coisa que vão fazer é chumbar o orçamento a ser apresentado pelo edil da Beira o deixando sem condições para dar passos seguintes ou de forma recorrente ir chumbando os projectos do Edil da Beira.

Apesar de ser um cenário pouco provável a meu ver, mas caso o plano orçamental de Daviz seja chumbado de forma recorrente e ele veja se obrigado a dissolver a assembleia convocando novas eleições o resultado é que Daviz Simango acabará vencendo as eleições com uma maioria absoluta para o grupo que suportar a sua candidatura e as forças políticas terão dado mil passos atrás, pois não há duvida que Daviz Simango foi votado pelos Beirenses independentemente da sua filiacao partidaria, e os mesmos farão de tudo para ver o edil dos seus desejos a dirigir o município da cidade da Beira.

Com relação as forças políticas é pouco provável que por forma recorrente chumbem o orçamento de Daviz ou inviabilizem a sua governação até ao ponto do Edil decidir-se por dissolver a assembleia, não só porque isso significaria um retrocesso individual e colectivo quer dos deputados da assembleia municipal quer dos seus partidos visto que o povo atento da Beira os daria um cartão bastante vermelho em outros pleitos eleitorais para o município da Beira mais ainda assim podemos seguidamente avançar algumas razões de carácter particular para cada partido que os forçaria a não tomar tais posicionamentos.

A Frelimo é um partido que se considera sério e maduro e tem estado a desenvolver acções para manter esta imagem sendo por este facto que o partido Frelimo difunde que a Renamo é um partido sem espírito patriótico e que não esta preocupada com o desenvolvimento nacional pois na Assembleia da República de forma recorrente tem estado a votar contra toda e qualquer proposta apresentada pelo partido maioritário, pelo que nao haveria de se auto-contrariar ou imitar aos imaturos da Renamo nas suas posicoes no municipio da Beira.

A partir deste ponto de vista é importante sublinhar que a seriedade da Frelimo estará em teste, em teste no município da Beira onde claramente a legitimidade de Daviz está em alta e aumentará a cada vez que lhe for feito “vida negra” no cumprimento do seu mandato. É verdade que alguns possam dizer que a Frelimo chumbou completamente o relatório de contas do presente mandato de Daviz, sim é verdade e continuará a apontar outras contrariedades na governação de Daviz mas de forma responsável, sem deixar de fazer política, e pessoalmente gostaria de ver a Frelimo esgrimir todo o seu talento que e inegavel para de forma justa e suada tomar a Beira.

Mas tenho algumas ou se não completas reservas para acreditar que o partido Frelimo paute por uma conduta reiteradamente contra a sua postura e atentadora duma convivencia democratica pois levaria a que o partido perdesse a confiança em si depositada pelo povo da Beira para ser o grande fiscalizador da execução das promessas do Edil da Beira. A Frelimo devera sim lutar para conquistar a Beira, mas para conquistar os Beirenses deve e é isso que vai seguramente fazer, devera controlar rigorosamente a governação de Daviz apontando os erros do Daviz em vez de não deixar que Daviz governe pois uma posição de inviabilização recorrente aos projectos de Daviz iria entrar contra a sua postura de partido maduro e sério o que teria reflexos negativos para esta forca politica ao nivel nacional.

Agora com relação a Renamo importa começar por informar que Daviz Simango apesar de ter sido proposta a sua candidatura pelo Grupo da Democracia da Beira, na sua campanha sempre convidou os eleitores a votarem na Renamo. É verdade que a direcção central da Renamo está em ruptura com Daviz com anuência de uma pequena parte dos líderes da Renamo na Beira, mas é importante destacar que a grande falange dos membros da Renamo votaram massivamente em Daviz Simango o que quer dizer que a Renamo da Beira ou a Renamo na Beira não está em ruptura com Daviz o que poderá acontecer é eleições de novos órgãos de partido ao nível da Beira e serão afastados da liderança (o grupo Mbararano) aquela pequena Renamo que não alinha com a Renamo da Beira, e com agravante de que mesmo que isso não aconteça a curtíssimo prazo, os deputados da Renamo a serem escolhidos para assembleia alguns acabaram votando de acordo com as suas convicções (pró Daviz) e não em estrito respeito as disciplinas partidárias.

Mais importante na análise ao partido Renamo é que a vitória de Daviz o relança numa provável liderança do partido num futuro breve e isto terá certamente efeitos na forma como os membros deste partido terão que se relacionar com o edil da Beira, quer os de nível central, quer os de nível provincial, pelo que o mais provável não é a Renamo chumbar o orçamento de Daviz, mas sim tentar uma aproximação e reconciliação com Daviz Simango.

Bem, de forma geral penso que com as hipóteses esgrimidas neste texto não deitam por terra os argumentos de que Daviz Simango terá uma governação difícil, pois terá, mas tentam mostrar que os partidos políticos com maioria dos assentos na assembleia municipal da cidade da Beira tem mais a perder se “inviabilizarem” por inviabilizar, isto é, tem mais a perder se não deixarem Daviz Simango governar, pois como alguém disse Daviz Simango é “populoso e populista” e como eu digo o eleitorado da Beira é bastante atento, por essas razões vaticino um mandato democrático, difícil, mas possível, para o município da cidade da Beira.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

19 de NOVEMBRO de 2008 . Eleições em 43 Autarquias de Moçambique

UMA ANÁLISE AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM MOÇAMBIQUE

Decorreram, no dia 19 de Novembro, no território Moçambicano, as terceiras eleições autárquicas, em 43 círculos eleitorais, em que se vão eleger os membros das assembleias municipais e os presidentes das assembleias municipais. Foi um acto que demonstrou a consolidação da consciência democrática do povo moçambicano, o que consequentemente, vai reforçar no "concerto" das nações a imagem de que Moçambique é um país com uma estabilidade política e a perseguir a tradição democrática.

Permitam-me aproveitar para referenciar que foi com alguma tristeza da minha parte que não registei no acto da campanha eleitoral os partidos políticos a excomungarem das suas fileiras ou a repudiarem os seus seguidores que tenham se envolvido em acções pouco abonatórias e que manchem o espírito de equilíbrio democrático e de livre participação política, mas acredito que poderá ter sido feito ao nível interno, mas dá um outro poder didáctico e demonstra maturidade quando estes posicionamentos cometidos em público, as suas medidas também sejam públicas, mas acredito sinceramente, que chegaremos lá.

Apesar de nas primeiras horas, as mesas de voto, terem registado alguma afluência massiva de munícipes, também é verdade que o nível de abstenção foi bastante alto e preocupante rondando numa estimativa preliminar dos 58%, ainda que se tenha registado um crescimento do nível de adesão com relação as últimas eleições. É imperioso que a sociedade encontre respostas para tão elevado número de abstenções, mas deve ser preocupação principal para a CNE/ STAE e os partidos políticos encontrarem essas respostas, para um facto que seguidamente avançamos algumas respostas.

Poderá ter sido um dos factores de grande abstenção o fraco trabalho de educação cívica realizado pelas instituições que organizam o processo eleitoral, lembrando que pouco se viu ou até mesmo não se viu a CNE juntarem grandes aglomerados populacionais explicando sobre a necessidade do processo sobretudo nas regiões peri-urbanas e zonas rurais, acompanhado de escolhas de candidatos que pouco e de forma nenhuma criavam confiança ao cidadão comum, ao mesmo tempo que víamos fracos programas eleitorais, ou projectos eleitorais que pudessem convidar aos indecisos, e apolíticos, aderirem ao processo.

Se no acto de recenseamento eleitoral, vimos computadores a fazerem o registo de eleitores, era imperioso ou melhor justificava-se que ao menos por cada assembleia de voto fosse instalado um computador com os dados completos dos membros da respectiva assembleia, por forma a permitir que todos quanto, tenham perdido o seu cartão, facilmente possam encontrar os seus dados, e assim efectuarem o seu direito cívico. Outro aspecto, no qual devemos melhorar é sem dúvida nos meios que estão a disposição quer os meios materiais e humanos, nos materiais me refiro a cadernos eleitorais com indicação alfabética, mais mesas de voto para diminuir enchentes e evitar desistências, e no que tange aos meios humanos, fazer uma triagem antecipada do pessoal e formá-los por forma a garantir que se tenham pessoas que estejam realmente preparadas por forma a atenderem de forma eficaz e eficiente a demanda dos munícipes.

As detenções de alguns candidatos nas vésperas da campanha, e sua libertação sem que se tenham permitido que fizessem uma campanha plena, são também algumas acções que retiram a competitividade do processo, isto é, a mensagem partidária não chega, os eleitores não aderem as urnas com a leitura de que o vencedor já se tenha encontrado.

Acredito que já é chegado a hora de alguns locais como, zonas agrícolas, mercados ou pontos de aglomeração de informais tenham mesas de voto, isto é, aproximar cada vez mais as mesas de voto a um grupo de pessoas que defendem com algum sentido que não podem perder um dia da sua actividade sob pena e risco, de colocarem o sustento da sua família em risco.

Estes são sem dúvidas alguns dos aspectos vividos neste processo que devem sem dúvida merecer alguma reflexão, e emendas quer por parte da sociedade, quer por parte dos partidos políticos ect. Ainda assim, existem alguns aspectos a volta deste processo que engrandecem em muito o nosso sentido democrático, e que expressam o crescimento de sentido de organização e de Estado.

Importa neste aspecto começar por clarificar que foi com alto sentido de Estado e grande sentido educativo que Sua .Excelência o Presidente da República fez as suas aparições neste processo, sabendo equilibrar entre as suas funções políticas e o as suas obrigações de Chefe de Estado, penso que é algo que deve ser registado e congratulado.

Neste diapasão seguem-se o trabalho isento desenvolvido pelo Conselho Constitucional que soube usar quiçá da equidade para resgatar a justeza no processo eleitoral, e o órgãos eleitorais que atempadamente colocaram os meios nos devidos locais e melhoraram consideravelmente o seu nível de organização.

Não podemos nos esquecer que neste processo a comunidade internacional não terá dado o seu GRANDE apoio, mas mesmo assim o Estado Moçambicano, soube fazer esforços para tornar possível o processo e de forma assinalável, e também o facto de grande parte dos observadores eleitorais serem nacionais, começamos desta forma a ser “donos” dos nossos processos eleitorais e principalmente começa a se iniciar um novo paradigma no relacionamento com a comunidade externa, isto é, passam a perder peso quanto a validação dos nossos pleitos eleitorais e também demonstramos que somos capazes de forma autónoma de “fazer coisas”.

Estas eleições tiveram a Beira como o centro das atenções, tiveram a Beira como o ponto mais alto da demonstração do nosso sentido de competitividade democrática, pelo que, quero antecipadamente alertar que a Beira pode ser contrariamente ao que muitos pensam, o ponto de inicio da decadência das forças políticas pré-estabilicidas no nosso cenário político, principalmente se tiverem um papel recorrente de “inviabilizarem” na essência etimológica da palavra a governação do Edil da Beira.

Feitas estas análises resta-me congratular a comunicação social, as forças políticas, aos grupos e movimentos de cidadãos, aos órgãos de organização eleitoral, aos cidadãos que exerceram o seu direito de voto, mas principalmente a todos os candidatos quer representados por forças políticas, quer de forma independente, pois estes quanto mencionei, tornam cada vez mais possível a construção e consolidação do ESTADO DEMOCRÁTICO MOÇAMBICANO.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

QUE LEITURA AO PRIMEIRO DISCURSO DO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – BARACK HUSSEIN OBAMA

O PRIMEIRO DISCURSO DO PRESIDENTE BARACK OBAMA


Como já tinha teorizado e analisado no passado mês de Junho, Obama candidato democrata venceu o seu último adversário o Senador John McCain e tornou-se no mais recente Presidente dos Estados Unidos da América apesar de que a sua tomada de posse será em Janeiro de 2009, e fez no dia 05 de Novembro de 2008, em Chicago o seu primeiro discurso, após ter sido reconhecida a sua vitória nas Eleições para Presidente dos Estados Unidos da América.

Estive desde a primeira hora de votação a acompanhar o desenrolar dos factos, as leituras dos resultados feitas pelas maiores cadeias de análise dos EUA que me chegavam através da CNN, pelo que, apesar dos números finais é importante reconhecer que a “teimosia” de McCain verificou-se nas urnas, não foi de todo fácil para Obama, lembro-me que os primeiros resultados na primeira percentagem davam algum avanço do McCain que acabaram tendo alguns avanços e retrocessos que culminaram com a inequívoca vitória de Barack Hussein Obama.

Por ter acompanhado o desenrolar dos factos tive também a oportunidade de ver as falanges de apoiantes de Obama a entrarem em Chicago no local onde Obama fez o seu primeiro discurso. Era um local de alegria, um local concentrado maioritariamente por jovens, com presença de adultos, onde se faziam presentes velhos, mulheres, crianças, negros, imigrantes, enfim, o povo norte-americano estava ali para ouvir o primeiro discurso do Presidente dos Estados Unidos da América.

A entrada de Obama deixou fascinada aquela multidão, e certamente a muitos cidadãos para quem Obama se dirigiu por via da Rádio, dos ecrãs da TV, pela Internet, e por a’i fora. No seu discurso Obama, disse que estava a falar para os Americanos, (Hispânicos, Afro-Americanos, Imigrantes, ect, ect), sem distinção de qualquer índole, tendo dito que os resultados da eleição constituem uma resposta aos que já não acreditavam nos princípios dos fundadores dos EUA, é uma resposta para aqueles que acreditam que o principio mais nobre do povo Americano é a Democracia e não a força das armas ou da sua economia.

Obama, parabenizou ao povo Americano por ter sido paciente em esperar longas horas para exercer o direito de voto, e usou mesmo o exemplo de uma cidadã de mais 106 anos que apesar da sua idade votou, lembrou essa cidadã q viveu os períodos de opressão, e o fez para que os filhos dos netos dos seus netos não tivessem a mesma sorte dos tempos passados, ou seja, para que o futuro fosse mais risonho para América.

O primeiro discurso de Obama, após saber da sua vitória Eleitoral, apesar de ter o mesmo brio na oratória, ser profundo e apaixonante, não foi similar aos discursos de campanha, Obama começou a preparar o povo para dias difíceis, ou melhor dias de incompreensão, aquilo a que chamo de dias de Governação, que serão claramente dias diferentes, com acções e discursos um pouco fugidos das declarações de campanha, tendo sobre este aspecto, solicitado uma antecipada compreensão por parte de todos, pois segundo ele apesar de continuar a ser Obama, “eu serei também o vosso Presidente” e penso que este foi um dos momentos sob ponto de vista de liderança de grande importância.

A característica profunda de Obama e de homem digno não ficou esquecida nesta sua primeira intervenção como “Presidente dos Estados Unidos da América” tendo justificado as suas qualidades com a forma elegante como tratou o seu adversário (John McCain) dizendo que o congratula pela forma como transmitiu ao longo de todo os anos, inclusive nesta campanha, o seu amor para com a causa Americana e é uma das pessoas com quem certamente vai querer colaborar para restaurar o sonho Americano.


YES WE CAN.

“Sim nós podemos”.
No seu discurso Obama vezes sem conta atingiu de forma profunda aos milhares de apoiantes, enunciando uma série de desafios que América tem pela frente mas que serão alcançados, com a colaboração de todos, tendo mostrado quando abordou a sua mensagem para o exterior de que pretende ser um Presidente amigo da paz, mas que não exitará em perseguir e derrotar aqueles que pretenderem levar o mundo ao caos ou o caos ao mundo.

O novo Presidente dos Estados Unidos na sua hora de discursar não esqueceu de fazer menção a sua equipe de trabalho, o seu Vice Presidente Joe Biden, a sua esposa, filhos, familiares, os directores de campanha, estrategas eleitorais, os apoiantes, as figuras, enfim recordou que o seu triunfo era uma obra de equipe e que essa era a marca de mudança que pretende trazer.

De facto Obama é o primeiro Presidente negro dos EUA assim se viu na foto de família, na passagem dos familiares na hora de saudação de agradecimento aos apoiantes, mas eu prefiro lembrar a todos que Obama é muito mais do que isso, é o Presidente dos Estados Unidos da América, e na madrugada de hoje, no seu discurso, começou a afastar-se do candidato de forma não muito abrupta, mas demonstrou o que já tínhamos avançado, existe uma grande diferença entre os discursos de campanha e os discursos do Presidente de qualquer Estado, ademais, um Estado com responsabilidades mundiais como é o caso dos Estados Unidos da América.

Felizmente, as Cartas de congratulação pela vitória de Obama chegadas desde a Venezuela, Israel, Palestina, União Europeia, Quénia, Japão, Cuba, e demais países mostram que o mundo está em torno de Obama, um factor que pode ser determinante para que Obama opere o tão apregoado CHANGE in USA que terá impactos pelo mundo inteiro. “ENFIM, OBAMA NO SEU DISCURSO NÃO DEIXOU DE SER PROFUNDO MAS DEIXOU AS PRIMEIRAS MARCAS DO REALISMO DE QUALQUER PRESIDENTE NORTE-AMERICANO”

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A CRISE FINANCEIRA GLOBAL

DA CRISE ECONÓMICA NORTE-AMERICANA A UMA CRISE MUNDIAL

Em Agosto de 2007 veio ao de cima uma crise no sector financeiro norte-americano desencadeada pela procura no mercado imobiliário. Uma crise que é o reflexo da recessão económica de 2000-2001 e de 2003 em que o mercado de habitação foi promovido para estimular a retoma da economia através de um fornecimento de linhas de créditos bancários sem muito rigor de análise das capacidade dos cidadãos e nem mesmo sem rigor prático bancário exigido para créditos a longo prazo. Isto levou a que muitos cidadãos tivessem acesso a esses linhas e como muitos deles não conseguiram cobrir os empréstimos aos financiadores de hipótecas (bancos), e pela quantidade de empréstimos não cobridos, os bancos tiveram altas perdas mas também geraram um alto nível de endividamento, com o agravante de que os gestores dos sistemas finaneiros iam recebendo altos salários e compensações que contribuíram para o ruír do sistema financeiro norte-maricano.

Mas porque as economias dos países, principalmente os mais desenvolvidos do globo está praticamente atada uma a outra e os bancos representam o grande elemento de conexão dos mesmos, através de empréstimos, de garante de investimentos e de depósitos de capitais que envolvem grandes empresas e grandes corporações internacionais sediadas em várias partes do mundo foi assim que como que num estalar de dedos que os outros centros económicos entraram automaticamente em crise facto que pode se testemunhar com o efeito das bolsas de valores globais que teve também um efeito e acompanhou as leituras dos mercados globais.

Actualmente esta crise já deixou de ser uma crise do sector imobiliário, ou simplesmente do sector bancário, ela passou a afectar directamente o funcionamento de corporações privadas, afectou a confiança dos utentes bancários com relação aos juros empregues, baixou a proporção de consumo e consequentemente travou o nível de investimentos o que não só vai gerar mais desemprego, vai quebrar as expectativas de crescimento de vários países, levando a falência muitas e grandes empresas e Estados levando ao colapso do sistema financeiro global.

Certamente que os bancos centrais das economias mais desenvolvidas tiveram que intervir, não só para evitar que vários bancos fossem a falência levando consigo investimentos de muitas famílias o que certamente geraria um drama social com grandes repercurssões, mas principalmente com objectivo de travar o colapso do sistema financeiro global o que poderia ser um factor mobilizador de uma grande depressão social a escala global com consequencias imprevistas.

Nos Estados Unidos onde a crise se desencadeou foi desenhado o plano Paulson que deu lugar a uma injecção de 700 biliões de dólares para não permitir que bancos acabassem por ruír mas ainda assim está claramente perspectivado a queda de mais alguns bancos e seguidamente a União Europeia reuniu-se urgentemente para combater a crise com medidas únicas falando numa só voz numa altura que as grandes economias como a Alemã estão em fase de contração, a Islândia uma das mais robustas economias globais está a beira da falência. Neste cenário a grande pergunta que se faz é o que se espera para os países menos desenvolvidos como Moçambique.

As leituras de vários economistas e de instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e FMI dizem que a crise vai atacar largamente aos países que estão intimamamente ligados as economias globais o que não é o caso de grande parte dos países Africanos ou em vias de desenvolvimento e que por exemplo a África do Sul pode ser uma das economias que possa sofrer parcialmente, ou indirectamente, pois o seu nível de exposição as grandes cadeias económicas globais são muito superiores dos países como Moçambique.

No entanto é preciso entender que se por exemplo para Moçambique o problema do preço de combustível era um problema, deve ficar claro que com a crise o combustível vai caír, mas pelo facto das grandes economias encontrarem centrados na resolução dos seus problemas económicos que terão que ser assistidos a médio e longo prazo, poderemos ter alguns problemas, visto que com a queda no consumo, os grandes investimentos que geram rendimentos que possibilitam o apoio aos países em desenvolvimento vão travar ou até mesmo parar e certamente que as grandes linhas de apoio aos PVD vão conhecer algumas limitações, os investimentos previstos para os PVD terão que ser repensados pois vai se assistir uma minunciosa atenção a empregabilidade de capitais porque as grandes companhias e economias certamente que quererão investir em projectos de lucros seguros e a curto prazo.

O facto de capitais Africanos representarem menos de 5% do comércio global parece-me que deveria constituir um factor actrativo para aos grandes investidores globais, pois a crise foi gerada numa tentiva de promover a retomada da economia a partir dum mercado extramamente concentrado, o que certamente teria outro impacto se fosse usado um mercado “virgem” como o Africano, onde certamente a um fraco poder de compra facto que tambem poderia constituir uma oportunidade, pois deveriam ser privilegiados sectores que não só poderiam fortificar as capacidades do consumo africano mas poderiam constituir um factor de complementaridade dos mercados globais, Africa saíria a ganhar e o mercado global também, mas certamente esta e uma recomendacao a ser levada aos grandes economistas, as corporacoes financeiras internacionais e porque nao ao Grupo de Paises mais industrializados do mundo.

Nesta altura em que se diz que o pior ainda está por vir, esperemos que os detentores dos capitais globais “desconcentrem” a localização dos investimentos e tomem medidas acertadas para dar resposta a crise e podemos adiantar que os sinais da recessão de 1929 estão lançados, e a crise poderá chegar a essa dimensão. No entanto vai jogar um papel fundamental a forma como as economias globais vão lidar com as economias periféricas e a busca da confiança do sistema financeiro das grandes economias pelo que esperemos que a declaracao de garantia de liquidez por parte dos Estados aos bancos traga a confianca necessaria para o sector financeiro global.

Um alerta especial deve ser chamado aos dirigentes e gestores financeiros das economias periféricas como Moçambique, para que comecem a desenhar acções para se desamarrarem “urgentemente” da dependência externa e para que não só fiquem atentos ao xadrez económico global que vai sendo desenhado, mas que comecem a enunciar medidas tendentes a contrabalçar a crise pois num futuro muito breve estas economias vão experimentar dias difíceis que vão agravar a já difícil situação de vida dos seus povos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O CONFLITO NO CÁUCASO E ASCENÇÃO DA RÚSSIA

A NOVA RÚSSIA - O ERGUER DE UMA SEPERPOTÊNCIA

Os factores Geopolíticos e geostratégicos, sao alguns dos mais destacaveis na analise e comportamento dos Estados na defesa dos seus interesses vitais, e estes devem ser vistos como um conjunto de elementos e condições ou agentes de natureza geográfica e estratégicos susceptíveis de serem operados na construção de modelos de interpretação da realidade Política.

O caso da Russia e sui generis no que tange ao enquadramento destes factores no alcance do interesse nacional, e constituiram ao longo dos termpos factores determinantes no delinear da sua Politica Externa. Estamos claramente a fazer saber que os factores geopolíticos e geostratéticos constituem os elementos pivotais quando se pretende perceber como a Rússia tem conquistado o seu poderio ao longo dos séculos, e podemos de forma teórica garantir que estes factores, justificaram o conflito no Cáucaso, e como se fez referencia estes factores podem nos ajudar a compreender o reerguer da nova Rússia.

O erguer da Rússia é uma realidade. Uma realidade baseada na sua ascenção e “controle” da região do Leste Europeu, desafiando a aspiração do alargamento da União Europeia ao esférico geográfico das ex-Repúblicas Socialistas Soviéticas, pois foi sempre o controle desta região que justificou a condição de grandeza da Rússia, acima de tudo uma ascenção com o grande mérito de ser acompanhada pela consolidação da sua economia sendo das que mais cresce ao nível do globo, com o grande ganho de estar anualmente a registar altas taxas de décrescimo do desemprego, aumentando o poder de compra, garantindo assim a melhoria das condições de vida dos cidadãos Russos.

Queremos recordar que apesar da Rússia ter saído no final da II Guerra Mundial totalmente atingida pela guerra o que a deixou em condições deploráveis, ainda assim elevou o seu Status de suporpotência devido ao seu poderio militar mas foi sobretudo pelo facto de ter conseguido estender a sua influência política e ideológica pelo mundo fundamentalmente sobre o Leste Europeu que a Russia atingiu a sua grandeza no globo.

E com ascenção de Vladimir Putin para comandar os destinos do Kremlin, não só veio colocar o fim na recessão deixada por Yelstin e Gorbacthev mas fundamentalmente veio dar um rumo a Rússia, abrindo portas para um “captalismo” que só permitiu o erguer da economia Russa com uma gestão dos jazigos de petróleo e gás que ajudaram a consolidar e equilibrar as relações com a Europa, uma espécie de captalismo não doutrinário, que não rompeu com os grandes alicerces de domínio Russo, baseados num forte controle do Estado, pouca abertura para as liberdades civicas, e um apoio económico aos países da região que foi permitindo garantir a Rússia a influência junto da região. A governação de Putin aproximou a Rússia da Europa na condição de parceira, baixou a tensão com os EUA, e fez com que a Rússia ganhasse um lugar de destaque no concerto das nações.

Esta consolidada governação de Putin no Kremilin que teve de ser terminada por força da Constituição, uma vez que já não podería se recandidatar a um terceiro mandato, apesar do povo assim o desejar, está sendo seguida por Dimitr Medvdev, ademais, o Presidente Russo, tem como seu Primeiro Ministro, Vladmir Putin, de tal modo que está claro que a Rússia abriu um espaço para que Putin continuasse a dar segmentos ao seu projecto de ascenção política, económica e militar da Rússia.

A diplomacia americana que lêu (tardiamente) a ascenção da Russa, constatou claramente que a Europa já não estava em condições de "travar" a ascenção Russa, e que pelo contrário, a estabilidade Europeia e o seu crescimento dependiam em grande medida da Rússia. Foi nesta leitura em que os EUA viram uma Europa cada vez mais "presa" a Russia que determinou o avanco da Diplomacia Americana na tentativa de travar o avanco da Rússia rumo a captura do Leste Europeu, uma região fortemente dividida por fronteiras étnicas. A medida inicial americana foi a proposta de reconhecimento da independência do Kosovo, contra a vontade da Sérvia e da Rússia e no campo estratégico decidiu com justificação de proteger interesses norte-americanos, instalar escudos antí-misseis na Polónia.

Todas estas acções levadas a cabo pelos norte-americanos não só representam que a Rússia começa a ser uma ameaça cada vez mais real para os EUA sob ponto de vista de hegemonia mundial e que estas acções visam não permitir que a Rússia volta a recontruír o seu grande império, mas se olharmos atentamente para a "cautela" com as quais elas são desencadeadas revelam que os EUA reconhecem o poderio Russo.


A aspiração Europeia de alargar a sua coligação para países vizinhos da Russia, isto é, as ex-Repúblicas Soviéticas, bem como para a tentativa Norte-Americana de travar o controle Russo da região do Leste Europeu, não tardou e foi a que a UE e os EUA menos esperavam, uma vez que a Rússia invadiu o Cáucaso atacando a Geórgia de Mikhail Saakashvili destruindo infra-estruturas estratégicas e militares como é a ponte Kaspi que assegurava o abastecimento de petróleo do Azerbaijão á Geórgia e Arménia, uma invasão que teve a justificativa de constituir um travao a itenção de Tbilis em recuperar a força a região separatista da Ossétia do Sul protectorado Russo.

Como resultado desta intervenção que culminou com a declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abkházia que foram copiosamente reconhecidas pela Rússia em resposta ao caso do Kosovo, a Rússia não só passou uma mensagem de domínio para países com os quais não tem óptimas relações (Polónia, República Checa, Ukrânia, etc, etc) para além de ter colocado mais distante da UE a Georgia e a Ucrania, mas também demonstrou que a Europa não está em condições de enfrentar vigorosamente a Rússia. Acima de tudo esta intervenção foi fundamental para que a Rússia desse um grande avanço para alcance do seu “grande” interesse de controlar efectivamente o Mar Negro.

Como resposta ao propósito dos EUA de colocar os escudos antí-mísseis na Polónia, a Rússia enviou para Venezuela dois bombardeiros estratégicos da Força Aérea Russa “Tupolev-160” e vai realizar com estes país manobras de treino militar envolvendo vasos de guerra com mísseis nucleares e convecionais aviões da marinha, como que a caminho de se instalar estratégicamente na Cuba ponto geostratégico muito importante para conter as acções militares norte-americanas anti-rússia.

Todas estas acções desencadedas por estas potências e/ou Estados são melhor lidas a luz da teoria de jogos que é um método formal e matemático de análise do processo de decisão em situações de conflito ou de crise e podemos desde ja dizer que pelo nivel de accoes desencadeadas entre os contendores este e um jogo equilibrado.

Sem dúvidas que estas acções terão algum impacto negativo para a Rússia, principalmente porque a Europa vai intensificar os esforços de saír da relacao de dependencia em que se encontra com a Rússia devido aos recursos energéticos (petróleo e gás) e pelo que se sabe a Inglaterra já anunciou um encontro para discutir o uso de energias renováveis, isto terá certamente repercussões no crescimento económico Russo fortemente dependente dos recursos energéticos, mas como se sabe sao projectos, que tem o seu tempo para a sua materializacao.

Ainda assim, a grande análise que se deve retirar das acções desencadeadas quer pela Rússia ou contra a Rússia, como se fez referência no título e no desenvolvimento do texto, é que a grande Russia esta se erguendo, construíndo a nova Rússia , que pode não ser necessariamente similar as fronteiras do Grande Império Russo, mas certamante que a longo prazo o mundo verá erguer-se a Nova Rússia também muito forte e com grande capacidade de influência global.